Oferta da Petrobrás libera mercado e abre caminho para nova safra de IPOs

Estimativas não oficiais apontam para até oito novas operações até dezembro, que podem movimentar cerca de US$ 10 bilhões

Leandro Modé, de O EStado de S. Paulo,

25 de setembro de 2010 | 22h30

Até a semana passada, um enorme obstáculo separava um punhado de empresas brasileiras do objetivo de ter ações negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa): a capitalização da Petrobrás. Passada a megaoperação de US$ 70 bilhões (R$ 120 bilhões), a expectativa no mercado financeiro é de que os chamados IPOs (aberturas de capital) deslanchem daqui até o fim do ano.

Ninguém se arrisca a fazer projeções publicamente, mas, nos bastidores, fala-se em até oito negócios, que podem movimentar algo como US$ 10 bilhões (cerca de R$ 17 bilhões). É mais que o dobro do valor acumulado no ano até agora, que não passa dos R$ 8 bilhões, distribuídos em sete operações.

"A capitalização da Petrobrás 'atrapalhava' o investidor porque tirava a atenção de outras operações. Agora, a estrada ficou livre para que os IPOs voltem a acontecer", diz o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto. "Acreditamos que o resto de 2010 será bastante ativo para os IPOs", emenda o vice-presidente da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), Alberto Kiraly.

A avaliação de Edemir, Kiraly e outros especialistas apoia-se, principalmente, no otimismo dos investidores internacionais com o Brasil. Na terça-feira, a agência Bloomberg divulgou uma pesquisa, feita com 1.408 profissionais do mercado, que mostra o Brasil em primeiro lugar como destino preferido para investimentos, ao lado da China.

Cada país teve 33% das indicações, à frente da Índia, com 31%, e dos Estados Unidos, com 24% (os consultados podiam escolher dois países, daí a conta não fechar em 100%).

O sócio responsável pela área de Investment Banking do BTG Pactual, Guilherme Paes, observa que a fatia de estrangeiros nos IPOs de empresas brasileiras tende a subir, após um curto período de ceticismo.

Segundo ele, entre 2005 e 2007, investidores dos EUA compraram, em média, cerca de 50% dos papéis nas ofertas do País. Os europeus foram responsáveis por 25% e os próprios brasileiros, pelos outros 25%. No primeiro semestre de 2010, as participações atingiram, respectivamente, 40%, 20% e 40%.

"Foi um momento em que a captação de fundos internacionais ficou mais parada", afirmou Paes. "Daqui para a frente, devemos voltar para os níveis históricos, com maior demanda dos estrangeiros."

Os investidores internacionais retraíram-se, sobretudo, por causa da crise da Grécia. Durante grande parte do primeiro semestre, ficaram nervosos com a possibilidade de o governo do país, que integra a zona do euro, dar calote em sua dívida.

Quando os problemas gregos amainaram, o assunto capitalização da Petrobrás já dominava as atenções. É essa conjunção de fatores que explica por que as perspectivas positivas desenhadas para os IPOs no início de 2010 não se concretizaram.

Pedidos. Há sete pedidos para IPOs em aberto na Comissão de Valores Mobiliários (CVM): Sonae Sierra Brasil (administradora e construtora de shopping centers), Brasil Insurance (holding dona de 23 corretoras de seguro), Autometal (que atua em ramos do setor automotivo, como metalurgia e ferramentaria), HRT (que explora petróleo na Bacia do Rio Solimões), Repsol Brasil (subsidiária da espanhola Repsol também da área de petróleo), Karoon (petrolífera de origem australiana que tem alguns blocos de exploração na Bacia de Santos) e Norskan (que também atua no setor de petróleo).

Também circulam informações não oficiais sobre outras companhias que poderiam acessar o mercado nos próximos meses: Magazine Luiza (varejo), Rodobens (transportes), Intermédica (saúde), Carrefour do Brasil (varejo), IMC (dono de vários restaurantes, entre eles o Viena), Autotrac (comunicação de dados, que tem entre os sócios o ex-piloto de Fórmula 1 Nelson Piquet), Impsa (energia renovável) e o banco de investimentos BTG Pactual, entre outras.

A construtora WTorre e a empresa de energia Multiner, que haviam dado entrada na CVM com pedidos para abertura de capital, desistiram, ao menos por ora, das operações.

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