Oferta da Sadia pela Perdigão é positiva para o mercado, diz Santander

A oferta hostil da Sadia pela concorrente Perdigão, anunciada esta semana, é muito positiva para o mercado de capitais, segundo o superintendente de gestão da Santander Banespa Asset Management, Márcio Appel. Para ele, trata-se de mais um passo na consolidação da Bolsa, após a onda de ofertas iniciais que resultou na expansão dos setores com ações negociadas, acompanhada da maior exigência de governança corporativa e, por último, da pulverização do capital de algumas empresas. Segundo Appel, a operação só surpreendeu os agentes financeiros por se tratar da primeira do tipo no País. ?De agora em diante, sempre que for possível, o mercado vai considerar essa hipótese?, avalia. O executivo acredita que a possibilidade de uma companhia com capital pulverizado receber uma oferta hostil se tornará mais uma ferramenta a ser considerada no momento de precificar os papéis. Na terça-feira, o presidente da Perdigão, Nildemar Secches, anunciou que a empresa recusou a oferta, o que deve forçar a Sadia a apresentar um novo negócio ou retirar a proposta. ?De qualquer forma, faz sentido termos uma empresa com porte e condições de competição no ambiente global?, analisa Appel. Ele acredita que o Brasil possui vantagem competitiva no setor, e por isso tanto os papéis da Sadia como os da Perdigão já faziam parte do portfólio dos fundos do Santander. No total, a instituição administra cerca de R$ 38 bilhões em recursos. O especialista considera o momento apropriado para se posicionar no mercado acionário. ?Mas é preciso adequar as estratégias a um horizonte de prazo mais longo?, acrescenta, lembrando do quadro de volatilidade ainda presente. Dentro desse contexto, ele recomenda ações de empresas de setores nos quais o Brasil é competitivo. Além de Sadia e Perdigão, ele cita como exemplo as companhias de papel e celulose. Segundo Appel, a expectativa é de que o setor passe por uma corrida por expansão de capacidade. ?Além disso, as ações oferecem proteção contra cenários adversos, por possuírem receitas fortemente vinculadas ao dólar?, explica. Ele observa, porém, que a projeção do Santander é de apreciação do real frente à moeda norte-americana, apesar das incertezas no plano internacional, especialmente com relação às taxas de juros nos Estados Unidos. O segmento de petróleo, representado principalmente pela estatal Petrobras, também é bem avaliado pelo executivo, em conseqüência dos preços elevados da commodity no mercado internacional e do desconto ?exagerado? da petrolífera brasileira. O otimismo de Appel, porém, não é o mesmo com relação às ações ligadas ao consumo. ?Estamos um pouco mais cautelosos do que a média do mercado com esse setor?, esclarece.

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