Oferta de ações na Bovespa volta a chamar atenção

Após um mês de paralisação, as ofertas de ações na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) voltaram a render assunto e parecem sinalizar alguma retomada este mês. As expectativas já têm nome. A Abyara, que atua em consultoria e comercialização de projetos imobiliários, será a primeira a vir a mercado desde junho. Medial Saúde pode ser a empresa a encorajar outras e puxar nova lista de pedidos de registros iniciais. E a Cesp deverá dizer ao mercado se ele tem ou não porte para abrigar colocações bilionárias. O saldo da depreciação recente das ações em maio e junho, além das perdas em carteiras, resultou em ofertas adiadas e suspensas. Brasil & Movimento prorrogou o início de sua colocação por tempo indeterminado e pelo menos três operações foram canceladas. Multiplan Empreendimentos Imobiliários e Endesa Brasil solicitaram à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) a suspensão dos processos de abertura de capital. A Multiplan buscou outros sócios sem que precisasse se listar no mercado. A Endesa resolveu adiar a oferta de ações para uma outra oportunidade. A Afluente G&T de Energia Elétrica teve seu pedido negado porque não cumpriu as exigências dentro do prazo previsto na Instrução 202. Novas ofertas Agora as atenções se concentram nas novas ofertas em andamento e alguns pontos já podem indicar características diferentes nas operações. O tom de boa parte do mercado é que elas ocorrerão com maior racionalidade, sem, particularmente, as demandas infladas que marcaram as distribuições do início de 2006. A indicação, por ora, é de que os lançamentos de empresas do setor de construção serão responsáveis pelo reaquecimento, repetindo de certo modo movimentação observada no começo do ano. Abyara detalhou sua colocação na quarta-feira (5), com uma oferta primária de 6,5 milhões de ações ordinárias. A empresa deverá captar cerca de R$ 200 milhões e destinará a verba para viabilizar seu ingresso no segmento de incorporação. Esta pode ser uma indicação de que o momento no mercado se desenha pouco favorável para as ofertas secundárias. Ao vender suas próprias ações, os controladores desejam obter o preço mais elevado possível. A liquidez de recursos pelo mundo não está mais nos mesmos níveis do início do ano, pois as preocupações com o comportamento da economia americana provocaram migração de recursos das bolsas para ativos de renda fixa. A Bovespa perdeu o patamar dos 40 mil pontos. No mesmo sentido, a GVT mudou as diretrizes de seu processo de abertura de capital: cancelou a oferta secundária e manteve a primária. Além de Abyara e Cyrela, no setor de construção, estão em análise na CVM operações da Klabin Segall, Satipel Industrial e Brascan Residential Properties _ esta última, segundo informações do mercado, está confirmada e deverá ser a próxima a ter seu cronograma divulgado. Atualmente, 13 ofertas de ações estão em análise na CVM, sendo oito de abertura de capital. Na lista está a colocação da Cesp, com potencial de ser uma das maiores já vistas pelo mercado. As estimativas são de que se situe entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões. Por enquanto, a maior operação é a distribuição secundária do Banco do Brasil, que soma R$ 1,97 bilhão. Outras ofertas bilionárias não contaram com sorte: Telemar adiou e a TIM cancelou a sua, devido às condições atuais do mercado. No caso de Cesp, há investidores que apostam no andamento da operação pois os recursos serão utilizados para capitalizar a empresa e prepará-la para uma eventual privatização.

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