Oferta de gás boliviano já é menor que demanda, diz Petrobras

O presidente da Petrobrás Bolívia, José Fernando de Freitas, afirmou que a produção de gás na Bolívia não permite ao país cumprir sequer seus contratos vigentes com Brasil e Argentina, menos ainda acordos futuros. Em entrevista publicada ontem no jornal boliviano La Razón, o executivo afirma que a capacidade boliviana está limitada pela redução dos investimentos estrangeiros em decorrência da nacionalização decretada em maio."A Bolívia não tem capacidade de produção suficiente para atender nem sequer aos contratos atuais. Se todos os seus mercados pedissem os volumes máximos, e estamos perto disso, a Bolívia não teria capacidade de entregá-los", disse Freitas.O Brasil fechou um acordo para a compra de até 30 milhões de metros cúbicos diários de gás até 2019, mas atualmente compra uma média de 26 milhões, enquanto a Argentina tem contratos para adquirir este ano até 7,7 milhões diários, mas seu nível médio atual ronda os 4,5 milhões m3.Os governos de Bolívia e Argentina negociam a venda de outros 20 milhões de metros cúbicos diários para o Gasoduto do Nordeste Argentino, cuja licitação de construção deve ser aberta até o fim do ano.No entanto, segundo Freitas, "esses novos volumes para enviar à Argentina não são viáveis sem investimentos extras. Agora, quem poderia fazer esses investimentos na situação que temos hoje? Certamente não será a Petrobrás", alertou.A empresa foi uma das mais afetadas pela decisão tomada em maio pelo presidente da Bolívia, Evo Morales, de nacionalizar suas refinarias e elevar os tributos de 50% para 82% por sua participação nos dois maiores campos de gás do país, que a Petrobrás administra.Após a nacionalização, a Petrobrás adiou, quase de forma definitiva, a construção de um complexo petroquímico na fronteira, em que a empresa investiria US$ 1,5 bilhão, diz Freitas. A empresa também paralisou investimentos para aumentar no futuro o envio de gás ao Brasil, de 30 milhões a 45 milhões de metros cúbicos diários. Segundo Freitas, o aumento da importação exigiria investimento próximo de US$ 1 bilhão em novos poços, usinas de processamento, prospecção e o transporte de hidrocarbonetos, tanto na Bolívia como no Brasil.O executivo acrescentou que o Brasil busca fontes alternativas para garantir sua provisão de energia, "porque os incidentes na Bolívia geraram no consumidor brasileiro desconfiança em relação à continuidade do fornecimento".Freitas ressaltou que a Petrobrás sempre teve planos "muito ambiciosos" e de "longo prazo" na Bolívia, mas o "atual marco legal da indústria de hidrocarbonetos" inibe investimentos. "Não é uma represália, não é uma decisão unilateral, é uma conseqüência natural da decisão da Bolívia, mas achamos que as palavras finais ainda não foram ditas", ressaltou o executivo. As negociações entre Brasil e Bolívia serão retomadas dia 15.

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