Operação de Telemar pode se tornar referência, diz Modal

A operação de pulverização do controle do capital da Telemar em Bolsa, com a listagem das ações no Novo Mercado, é o evento mais importante para o mercado no ano - mais até do que as novas ofertas de ações - e, se concretizada, pode se tornar referência. O comentário é do diretor da Modal Asset Management, Alexandre Póvoa. ?Se a Telemar for bem sucedida, e eu acredito que será, muitas empresas seguirão pelo mesmo caminho?, afirma. Apesar de a operadora não ter sido a primeira a adotar a estratégia, as operações anteriores - Lojas Renner, Perdigão, Submarino e Embraer - não são comparáveis, em termos de volume e importância, com a da Telemar, que pode se tornar a maior empresa da América Latina com capital pulverizado, segundo o especialista. Além disso, afirma, a tradição de empresa familiar, predominante no Brasil, é contraditória com o momento vivido pelo mercado. ?As companhias, aos poucos, percebem que é a governança corporativa que maximiza valor aos acionistas e traz valor ao negócio?, aponta. No caso dos IPOs, mais importante que a quantidade - que, com as estréias de BrasilAgro e CSU Cardsystem igualaram o número de 2005 -, é a qualidade das novas empresas, de acordo com Póvoa. ?A diversificação de setores traz uma riqueza muito grande ao mercado?, explicou, lembrando que, há pouco mais de três anos, poucos imaginavam companhias de setores distintos como aluguel de veículos e tecnologia da informação representadas em Bolsa. Ainda assim, nenhuma abertura de capital supera em importância a operação de Telemar, na análise de Povoa. Ela pode, inclusive, dar um novo impulso à Bolsa, que, segundo ele, vive um momento ?muito especial?. Por outro lado, ele pondera que as boas escolhas e apostas setoriais por parte de gestores e investidores devem prevalecer cada vez mais em relação à simples escolha por replicar índices de mercado. Dentro dessa filosofia, acredita que as empresas de telefonia fixa ganharam atratividade com o anúncio da Telemar. A expectativa de consolidação no setor financeiro, que teve início com a compra dos ativos do BankBoston no Brasil pelo Itaú, também coloca os papéis das instituições em destaque, afirma o diretor da Modal Asset. A principal recomendação do especialista é Banco do Brasil, em conseqüência da oferta secundária de ações e do aumento do limite de participação estrangeira na instituição. Com a esperada expansão da atividade econômica a partir deste ano, um dos setores melhor posicionados é o elétrico, segundo Póvoa. Ele aposta na performance de CPFL Energia, um papel ?mal precificado?. ?Os ativos são de boa qualidade, e esperamos que a empresa traga um bom resultado no primeiro trimestre?, observa. A CPFL divulgará o balanço dos três primeiros meses do ano no dia 8 de maio. As ações ligadas a commodities, como Petrobras e Vale do Rio Doce, seguem favorecidas pela conjuntura internacional, na avaliação do executivo. A previsão já não é a mesma para os papéis de consumo. ?Eles se encontram atualmente bem precificados e negociam prêmio em relação ao mercado?, pondera o executivo da Modal Asset, que administra cerca de R$ 200 milhões em recursos.

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