Oriente Médio concentra atenções por causa do petróleo

Como vem ocorrendo há alguns meses, o ritmo dos negócios no mercado financeiro será ditado, nesta semana, pelas informações que vêm do exterior. Mas, em vez dos discursos de autoridades monetárias dos Estados Unidos, os olhares de investidores e profissionais do mercado financeiro estarão voltados para o Oriente Médio, mais especificamente para a fronteira entre Israel e Líbano. "Ali não se produz petróleo, mas sempre há o risco de que países exportadores do produto sejam envolvidos no conflito", afirmou Ures Folchini, vice-presidente de Tesouraria do Banco WestLB do Brasil. Se isso acontecer, as cotações do petróleo, que já vêm em alta, poderão disparar ainda mais, o que teria impacto negativo sobre o crescimento econômico mundial. Em segundo lugar na lista dos acontecimentos mais importantes da semana está a divulgação de resultados trimestrais de empresas americanas.Para analistas, os números poderão mostrar se a economia dos EUA caminha para uma desaceleração moderada ou se já esfriou demais. Entre as companhias que anunciarão os balanços relativos ao segundo trimestre estão a farmacêutica Merck e a fabricante de softwares e servidores Sun Microsystems. Do ponto de vista de indicadores da economia americana, os destaques são a primeira prévia do Produto Interno Bruto (PIB) relativa ao segundo trimestre (na sexta-feira), os novos pedidos de seguro-desemprego (quinta-feira) e o Livro Bege do Fed (quarta-feira). Hoje não está prevista a divulgação de nenhum indicador. "Com exceção do PIB, os outros dados são menos importantes, mas, como o mercado anda melindroso, qualquer um deles pode ganhar destaque inesperado", observou a economista do Banco ABN Real Zeina Latif. Nesse cenário, as emoções não devem ser tão fortes como na semana passada, quando o depoimento do presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Ben Bernanke, no Senado monopolizou as atenções. A volatilidade, porém, deverá persistir. No mercado interno, a expectativa dos analistas é de que o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo acompanhe o ritmo de Wall Street. Juliana Braga, estrategista do UBS Wealth Management Brasil, acrescentou que o fluxo de investimento estrangeiro continuará baixo, por causa das férias no Hemisfério Norte. No mercado de câmbio, não se esperam grandes oscilações e, no de juros, os investidores darão atenção especial à ata do Comitê de Política Monetária (quinta-feira) e ao IPCA-15 (terça).

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