Os 5 top picks de março

1) Banco do Brasil ON. Continuamos com o Banco do Brasil como um de nossos top picks. Como antecipamos, o Banco do Brasil (BB) obteve o melhor resultado dentre todos os bancos no 4º trimestre de 2006 - e isso foi refletido no preço de suas ações. Este resultado serve como uma janela no tempo, proporcionando um panorama de como será o ano de 2007 para o banco. Acreditamos que as ações do BB, apesar da alta nos últimos meses, devem continuar subindo, a medida que a opinião positiva do mercado sobre o ano de 2007 se consolide. 2) Cemig PN*. Mantemos nossa visão positiva nas ações preferenciais da companhia pelas seguintes razões: A) o resultado do 4º trimestre deve ser forte, impulsionado por um pagamento de dividendos cujo yield deve ficar em pelo menos 5%; B) alavancagem a preços de energia mais elevados e maior probabilidade de recontratação de sua energia antes da entrada dos projetos estruturantes do governo federal; C ) atrativa em termos de preço, quando observamos uma série histórica de múltiplos EV/EBITDA; D) baixo risco em relação ao processo de revisão tarifária. 3) Usiminas PNA. Estamos incluindo Usiminas em nossa carteira recomendada acreditando no forte crescimento dos segmentos nos quais a empresa está posicionada. O aumento de preço de 5% no mercado interno para chapas grossas direcionando toda a produção ao mercado local, onde os preços são substancialmente superiores, provoca forte impacto para o ano de 2007. Adicione-se a isso o impacto do PAC na demanda interna de produtos siderúrgicos e o momento positivo no segmento de planos com sucessivos aumentos de preços internacionais. 4) Bradespar PN. Continuamos preferindo Bradespar a Vale do Rio Doce por acreditarmos que a empresa permanece com um desconto atrativo em relação ao valor líquido de seus ativos. Acreditamos que a empresa terá retorno de dividendos superior ao da Vale em 2007 e 2008, além da possibilidade de dividendos extras no caso de venda de suas ações da CPFL tornando a holding um ativo puro de mineração. 5) Ambev PN. Acreditamos que a queda dos papéis de Ambev no último mês não se justifica e que os resultados do quarto trimestre de 2006 divulgados no último dia primeiro confirmaram as nossas percepções de que a empresa oferece uma das melhores teses de investimento do setor de consumo combinando crescimento de receita e aumento de rentabilidade a múltiplos atraentes. Na carteira recomendada, aumentamos a alocação em Petróleo e Petroquímicos pois acreditamos que a recuperação no preço do petróleo no mercado internacional deve ser positivo para os papéis da Petrobras. Na ponta contrária, reduzimos a exposição no setor de Bancos de neutra (avaliação que o resultado vai empatar com o Ibovespa) para underweight (performance inferior à media), por acreditarmos numa desaceleração no crescimento do crédito e em uma retração nas margens dos bancos em 2007. O mercado de ações em março O cenário internacional deve ditar o rumo dos negócios. A Bolsa de Valores de São Paulo apresentava desempenho positivo até o pregão de terça-feira, 27 de fevereiro. Após registrar uma modesta valorização de 0,38% no primeiro mês do ano, o Ibovespa acumulava alta de 3,5% até este dia. Grande parte deste impulso pode ser explicado pela volta dos investidores estrangeiros ao mercado brasileiro em fevereiro. Até o dia 26, o saldo de investimentos estrangeiros na Bovespa superou a marca de R$ 820 milhões. No entanto, no penúltimo dia do mês, uma série de notícias negativas nos Estados Unidos e na China derrubou as bolsas em todo o mundo. As perdas generalizadas deveram-se a três fatores em especial: (i) os temores de que a economia chinesa desacelere o ritmo de crescimento - nos últimos seis anos o PIB chinês expandiu-se a uma taxa anual média próxima a 10% e foi o motor da economia mundial, (ii) o receio de que haja uma bolha no mercado acionário chinês, que acumulou alta de quase 130% no ano passado, e (iii) os dados de atividade nos EUA que vieram mais fracos do que o esperado, aliado às declarações do ex-presidente do Fed de que os Estados Unidos podem enfrentar uma recessão já no final deste ano. No Brasil, o Índice Bovespa sofreu queda de 6,63%, a maior desvalorização desde 13 de setembro de 2001, devido à crise provocada pelos atentados terroristas no World Trade Center. Para este mês, esperamos que a conjuntura de volatilidade observada no final do mês passado com o ?evento China? continuará por mais algum tempo. Assim, os investidores devem estar atentos aos eventos que ocorrem no mercado doméstico e principalmente no mercado internacional. Ainda assim, reforçamos a nossa visão positiva para o Ibovespa este ano, com preço-alvo de 54.100 pontos, devido (i) à estabilidade da economia brasileira, (ii) à baixa possibilidade de uma desaceleração muito acentuada na economia norte-americana e (iii) ao fato de, em termos de múltiplos, a bolsa brasileira ainda estar barata quando comparada às outras bolsas de países emergentes. Panorama Internacional No âmbito internacional, vemos um cenário conturbado em função dos riscos geopolíticos e das notícias em relação à China que derrubaram as bolsas em todo mundo. Resta saber até quando persistirá este movimento iniciado no fim de fevereiro, que representa uma correção de preços de ativos financeiros em todo o mundo devido à forte valorização observada nos últimos meses. Entre as divulgações programadas para o mês, destacamos os dados de vendas no varejo (dia 13), de inflação ao produtor (PPI - dia 15) e ao consumidor (CPI - dia 16) e a decisão do Fed a respeito da taxa de juros (dia 21). Panorama Doméstico No Brasil, o PIB de 2006 teve crescimento de 2,9% em comparação com o ano anterior, segundo dados divulgados pelo IBGE. É o segundo ano seguido em que o resultado fica abaixo dos 3%. O resultado ficou também abaixo da metade da estimativa de crescimento para países emergentes feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que é de 6,5%. Numa lista de 34 emergentes, cuja média de crescimento é de 5,5%, o Brasil ficou na última colocação. A demanda interna puxou o crescimento da economia em 2006. Sob o efeito da maior oferta de crédito e da expansão da massa salarial, o consumo das famílias aumentou 3,8% em 2006. Os investimentos em máquinas, equipamentos e construção civil avançaram 6,3%. Por outro lado, a valorização do real em relação ao dólar observada ao longo do ano passado favoreceu as importações. Com isso, o setor externo (exportações e importações) exerceu um impacto negativo sobre o PIB pela primeira vez desde 2000. Com relação a agenda programada para o mês de março, destacamos no ramo da atividade a produção industrial (dia 6) e as vendas no varejo (dia 15), ambos referentes ao mês de janeiro. No ramo da inflação, destaque para o IPCA de janeiro, a ser divulgado dia 9. A agenda conta ainda com a reunião do Copom, no dia 7, que decidirá o futuro da taxa de juros no país. Acreditamos que o cenário de inflação continua benigno. A dúvida agora é saber se o Banco Central continuará realizando cortes de 25 bps em seus próximos encontros ou voltará a acelerar o corte para 50 bps. Em nossa opinião, o BC deve promover mais cinco cortes de 0,25 ponto percentual, levando a Selic a 11,75% no final de 2007. Carteira Recomendada para Março Em fevereiro, a carteira recomendada subiu 0,26%, comparado com a variação negativa de 1,68% do Ibovespa. Os top picks fecharam o mês de fevereiro com alta de 0,55%, acima do desempenho negativo de 1,68% do índice Ibovespa no mês. Os destaques positivos de fevereiro foram Usiminas PNA (USIM5), com variação positiva de 10,24%, e DASA ON (DASA3), subindo 8,47%. Já na outra ponta, os piores desempenhos foram os de Bradesco PN (BBDC4), recuando 9,66%, Petrobras PN (PETR4), caindo 8,38%, e Ambev PN (AMBV4), com variação negativa de 5,89% em fevereiro. Para montar a carteira de março, levamos em consideração os seguintes fatores: A) Com os índices de inflação sob controle, os setores que mais se beneficiam com a queda de taxas de juros continuam preferidos. Com os índices de inflação mantendo-se em níveis comportados, acreditamos que o cenário de inflação continua benigno e com emprego e renda em níveis elevados continuamos concentrando a nossa exposição nos setores de consumo, aços planos e empresas como NET. B) Commodities: assim como havíamos antecipado no mês passado, os sinais de recuperação de preços se confirmaram. Adiciona-se o movimento do governo chinês na direção de regular o setor siderúrgico e reduzir os incentivos à exportação de aço, assim como outros produtos manufaturados. Nossa visão continua positiva, especialmente para siderurgia.

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