Yorgos Karahalis/Reuters
Yorgos Karahalis/Reuters

Otimismo com Grécia faz índice de ações europeu se aproximar do pico em 7 anos

Ministro de Finanças grego diz que governo não vai mais propor uma redução da dívida externa do país, estimada em € 315 bilhões, mas buscar uma série de trocas de dívida

Reuters e Agência Estado

03 Fevereiro 2015 | 17h23

O principal índice europeu de ações fechou perto da máxima em sete anos nesta terça-feira, puxado por papéis de bancos gregos, diante de esperanças de que o impasse em torno da dívida do país pode ser resolvido após o novo governo dar um passo para trás em seus pedidos por um perdão parcial do passivo. O índice FTSEurofirst 300, que reúne os principais papéis do continente, subiu 0,75%, a 1.478 pontos.

Atenas propôs como solução ao impasse com seus credores a troca da dívida por títulos indexados ao crescimento. As propostas contrastam com as estridentes promessas do governo na semana passada de abandonar as árduas condições de austeridade impostas sob o atual programa de resgate.

O ministro de Finanças da Grécia, Yiannis Varoufakis, disse que o governo liderado pelo Syriza não vai mais propor uma redução da dívida externa do país, estimada em € 315 bilhões, mas buscar uma série de trocas de dívida, que incluiria dois novos tipos de bônus, de forma a aliviar o endividamento de Atenas.  


Varoufakis, que falou ao jornal britânico Financial Times, disse que quer chegar a um acordo com os credores do país para trocar a dívida atual por novos papéis ligados ao desempenho econômico e que preveja também o equilíbrio orçamentário e combate à evasão fiscal dos mais ricos.  

Segundo Varoufakis, o primeiro bônus, indexado ao crescimento econômico nominal, substituiria os empréstimos de resgate da Europa, enquanto uma emissão de bônus perpétuos entraria no lugar de bônus gregos em poder do Banco Central Europeu (BCE). 

Para o ministro, a proposta de troca é uma forma de "engenharia inteligente de dívida" que evitaria o uso da expressão "debt haircut" (redução de dívida), que é politicamente inaceitável na Alemanha e em outros países credores. 

O índice de Atenas ATG saltou 11,3%, maior ganho porcentual diário desde agosto de 2011, com o índice bancário do país disparando 18 por cento. As ações do National Bank of Greece, Alpha Bank e Eurobank subiram entre 13,9% e 20,8%.

"Bancos gregos têm imenso potencial para se recuperarem porque se houver um acordo sobre a dívida e os bancos gregos receberem alguma ajuda, poderão reforçar seus balanços e continuar negociando", disse o gestor de ações globais do BCS Asset Management, Edmund Shing.

O ministro Varoufakis, que foi a Londres para assegurar investidores privados de que não está buscando um embate com Bruxelas sobre um novo acordo acerca da dívida, afirmou que o novo governo de esquerda não vai impor perdas aos títulos detidos por agentes privados, disse uma fonte à Reuters.

Em Londres, o índice Financial Times avançou 1,32%, a 6.871 pontos.Em Frankfurt, o índice DAX subiu 0,58%, a 10.890 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 ganhou 1,09%, a 4.677 pontos. Em Milão, o índice Ftse/Mib teve alta de 2,57%, a 21.011 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou aumento de 2,62%, a 10.598 pontos. Já em Lisboa, o índice PSI20 subiu 1,75%, a 5.304 pontos.

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