Ouro e dólar lideram ranking de aplicações em maio

O ranking da corrida dos investimentos passou por uma surpreendente reviravolta em maio. O dólar comercial acumulou valorização de 11,31% e ocupou o segundo lugar entre as aplicações mais rentáveis, atrás apenas do ouro, que ficou em primeiro, com alta de 12,73%. O desempenho do dólar foi inferior apenas ao de setembro de 2002, quando a tensão eleitoral impulsionou uma valorização de 24,92% na moeda americana. O único a amargar resultado negativo no mês terminado ontem foi a Bolsa de São Paulo, que ocupou a última posição, com queda de 9,50%. A sustentação do ouro e do dólar na ponta e o mergulho da Bolsa para o último lugar refletem a turbulência que varreu os mercados por causa do temor de alta da inflação nos Estados Unidos. A expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) puxe o juro de curto prazo dos EUA além do nível de 5% ao ano, na reunião do dia 28, aumentou a aversão dos investidores ao risco de países emergentes. Esse sentimento se traduziu na saída de investidores estrangeiros dos mercados de todos os países considerados emergentes, incluído o Brasil, e atingiu tanto títulos de renda fixa como ações. Em maio, até o dia 26, a Bovespa teve saldo negativo de capital estrangeiro de R$ 1,741 bilhão, que reduziu o volume acumulado no ano para apenas R$ 1,484 bilhão. O levantamento da Economática aponta que a desvalorização de 9,50% foi o pior desempenho da Bovespa nos meses de maio desde 1999, quando houve a liberação do câmbio, e a quarta pior, também em maio, desde a criação do índice Bovespa (Ibovespa), em 1968. A forte baixa encolheu a valorização no ano para apenas 9,19%. O capital externo que saiu do mercado de ações foi uma das principais fontes de pressão sobre o câmbio. A esses investidores que, para deixar o País, trocaram reais por dólares se somaram também os que liquidaram posições em Notas do Tesouro Nacional da série B (NTN-B), títulos de longo prazo indexados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A arrancada de 11,31% em maio praticamente neutralizou a perda do dólar no ano, agora residual de apenas 0,09%. A expectativa de analistas é que o clima de stress nos mercados seja mantido até a próxima reunião do Fed, no fim do mês. Até lá os investidores tendem a reagir, positiva ou negativamente, a indicadores nos EUA que influenciem a decisão de política monetária do Fed.

Agencia Estado,

01 de junho de 2006 | 08h39

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