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Tombo do petróleo puxa queda da Bovespa e faz dólar subir

Temores com a desaceleração da economia chinesa fizeram barril atingir a menor cotação desde 2003; principal índice de ações da Bolsa recuou 1,63% e moeda avançou 0,6%, cotada a R$ 4,05

Cláudia Violante, Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2016 | 11h42

A perda acumulada de 6,31% na semana passada não inibiu nova queda da Bovespa nesta segunda-feira, 11, que terminou abaixo de 40 mil pontos e no menor nível desde 17 de março de 2009. O recuo foi puxado pelo tombo do petróleo e pela baixa das bolsas norte-americanas até o fechamento da Bovespa.

O Ibovespa fechou em baixa de 1,63%, aos 39.950,49 pontos, menor nível desde 17 de março de 2009 (39.510,72 pontos). Na mínima do dia, marcou 39.924 pontos (-1,69%) e, na máxima, 40.974 pontos (+0,89%). No mês, acumula perda de 7,84%. O giro financeiro totalizou R$ 4,865 bilhões. 

A Bovespa operou em alta na maior parte da manhã, mas perdeu força já no começo da tarde e renovou mínimas sucessivas na metade do período. Perdeu o nível de 40 mil pontos pouco antes das 17h, mas o retomou logo depois. Segundo um operador, esse suporte é forte e acaba atraindo compras, daí o índice ter relutado a ficar abaixo dele. Nos ajustes finais, no entanto, o Ibovespa voltou a perder esse suporte. 

A Bovespa trabalhou de olho nas bolsas norte-americanas e também no petróleo e a deterioração desses ativos acabaram empurrando o índice doméstico para o piso da sessão. 

Na Nymex, o contrato do petróleo para fevereiro desabou 5,28%, a US$ 31,41 o barril, a menor cotação desde 2003. Com isso, a Petrobrás terminou o dia em queda de 3,56% na ON (ações ordinárias, com direito a voto) e 2,87% na PN (papéis com prioridade no recebimento de dividendos). 

A China teve influência sobre o preço do petróleo e, por tabela, o desempenho da Petrobrás. Os dados de inflação divulgados na sexta-feira, 8, foram fracos e reforçaram as preocupações sobre a economia do país. Isso também fez com que o preço do minério de ferro recuasse hoje, afetando ainda Vale. A mineradora brasileira terminou em queda de 2,85% na ação ON e de 3,41% na PNA. O preço do minério de ferro caiu 1,4% no mercado à vista chinês e foi a US$ 40,9 a tonelada seca, de acordo com dados do The Steel Index.

Dólar. A intensificação das perdas do petróleo no mercado internacional e as preocupações com a economia chinesa também definiram o avanço do dólar ante o real. A moeda americana, inclusive, subiu ante várias divisas de exportadores de commodities no exterior. Após recuar na sexta-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,60%, aos R$ 4,0581, na máxima da sessão.  

No início do dia, o dólar ainda se manteve em queda ante várias divisas de países emergentes ou exportadores de commodities, a despeito dos receios com a China. No Brasil, exportadores também aproveitavam para internalizar recursos, em um ambiente de liquidez bastante reduzida, e players com posições compradas no mercado futuro realizavam parte dos lucros mais recentes. Assim, às 11h41, o dólar à vista marcou a mínima de R$ 4,0030 (-0,77%). 

A partir daí, a moeda americana foi gradativamente ganhando força ante o real - e também em relação a outras divisas no exterior. Isso porque, lá fora, o ambiente piorou e as preocupações com a desaceleração da economia chinesa voltaram a pesar. 

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