Pacote da habitação deve reduzir juro do crédito imobiliário

O pacote anunciado ontem pelo governo para incentivar o setor de habitação deve reduzir a taxa de juros do crédito imobiliário e diminuir um pouco a demanda reprimida do mercado. Entre as medidas mais importantes está o uso facultativo da Taxa Referencial (TR) nos financiamentos ao consumidor. Hoje a maioria dos empréstimos habitacionais são concedidos com taxa de juros mais TR. Com a flexibilização, as instituições poderão usar o dinheiro da poupança, cujo custo é menor, para emprestar com taxa fixa e, portanto, com juros menores, afirma o presidente da Associação Brasileira de Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), Décio Tenerello. "O setor já oferece o produto, mas com dinheiro da carteira própria dos bancos, cujo custo de capital é maior." Segundo ele, as medidas já devem ter algum impacto no setor no quarto trimestre, mas não vão alterar as previsões de financiamentos para este ano. A expectativa é de que o crédito imobiliário suba mais de 100% em relação a 2005, de R$ 4,8 bilhões para R$ 10 bilhões. O diretor de crédito imobiliário do Itaú, segundo maior banco privado do País, Luiz Antônio Rodrigues, afirmou que os produtos com taxas prefixadas serão revistos. "Agora dá para ter uma taxa melhor e as pessoas terão mais segurança para comprar seu imóvel, pois os juros serão prefixados." Ele alerta, porém, que as medidas representam apenas o primeiro passo para a expansão do crédito imobiliário no País. Na avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat), Melvyn Fox, o mais importante do pacote é que "o governo entendeu que a construção civil é o caminho para o desenvolvimento econômico e social do País". Ele afirmou, porém, que a redução de IPI em alguns materiais poderia tem incluído uma lista mais extensa de produtos. Já o diretor da construtora Gafisa Wilson Amaral acredita que o setor vai voltar a ofertar produtos para a classe média, já que as condições de financiamentos para esse nicho da população vão melhorar. "A exploração de imóveis de alto padrão foi um mecanismo de sobrevivência, já que esses consumidores não tinham tanta dependência dos financiamentos. Agora poderemos preencher a lacuna que ficou no mercado." Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cebic), Adalberto Valadão, outra medida importante é a criação do crédito consignado para o setor imobiliário. "Com a redução do risco de inadimplência, os custos de financiamento também vão cair", diz ele. O presidente da Abecip, no entanto, observa que a modalidade não terá o mesmo impacto que teve no crédito pessoal. Isso porque o prazo de financiamento é alto e os funcionários privados não têm estabilidade no emprego. "O uso do FGTS para quitar as prestações em caso de demissão poderia reduzir o risco de inadimplência. Mas a medida não foi adotada pelo governo."

Agencia Estado,

13 de setembro de 2006 | 07h33

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