Pacote para baixar juros sai este mês, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que o governo anuncia ainda este mês o conjunto de medidas para facilitar a queda do spread bancário. Ele disse que as mudanças são necessárias porque os spreads elevados encarecem os custos do crédito e dos investimentos. "As medidas estão sendo discutidas pela equipe econômica. Tão logo estejam prontas iremos divulgá-las", disse Mantega, que participou, à noite, em São Paulo, do lançamento da edição 2006 do anuário Valor 1000 do jornal Valor Econômico. Segundo o ministro, as medidas de isenção fiscal para incentivar a implantação de indústrias e empresas de semicondutores no Brasil também devem ser anunciadas este mês. "As medidas consistem, entre outras coisas, na isenção fiscal aos fabricantes de semicondutores, uma indústria muito competitiva internacionalmente. Não vamos ter arrecadação de impostos diretamente dos fabricantes, mas indiretamente", disse, referindo-se à geração de empregos e à instalação de outras empresas que devem participar da cadeia produtiva. Em sua exposição a uma platéia de empresários e executivos, o ministro desafiou as empresas a ampliarem seus investimentos no País. Ele disse que os empresários precisam ser mais ousados e investir na ampliação da capacidade produtiva das fábricas. "É preciso deixar aflorar o espírito animal entre empresários e partir para um crescimento mais vigoroso." Segundo Mantega, o governo fez reformas, estabilizou a economia e deu condições favoráveis para o crescimento sustentado. "Falta apenas os empresários fazerem a sua parte." Mantega espera que a taxa de investimento no País passe dos atuais 20% do PIB para 25% nos próximos quatro anos. Habitação O pacote de medidas de incentivo ao crédito e ao financiamento habitacionais só deve ser anunciado pelo governo dentro de 15 dias. Segundo o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Paulo Safady Simão, ainda há dúvidas sobre como resolver o problema das garantias para o crédito com desconto em folha (consignado) para a casa própria. Como se trata de um empréstimo de longo prazo, a esperada queda da taxa de juros pode não ocorrer devido à elevada rotatividade de mão-de-obra no setor privado. A saída pode ser um teste, com um projeto-piloto voltado para os funcionários públicos, que têm estabilidade. O presidente da CBIC e outros representantes do setor jantaram na noite de segunda-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O governo federal também estuda a ampliação da lista de materiais de construção que poderiam ser desonerados do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).

Agencia Estado,

16 de agosto de 2006 | 08h39

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