Pão de Açúcar quer cortar preço e afastar imagem de supermercado caro

Um boneco do Tio Patinhas, que fica na mesa do diretor mais empenhado em cortar despesas no mês, dá a medida da nova fase vivida pela maior rede de varejo do País, o Pão de Açúcar, com 556 lojas e faturamento de R$ 16,1 bilhões em 2005. O grupo, desde o meio do ano passado, mergulhado num processo rigoroso de corte de custos e de reestruturação comercial, enfrenta um novo desafio: baixar preços para aumentar vendas e mudar a imagem de supermercado caro.O presidente do Conselho do Grupo Pão de Açúcar, Abilio Diniz, e o presidente da companhia, Cássio Casseb, ex-presidente do Banco do Brasil, e há cinco meses no cargo, explicaram o processo de mudança em entrevista veiculada no domingo pelo jornal O Estado de S.Paulo.O processo não será rápido para a rede que tem o estigma de cara. "É claro que isso leva tempo para acontecer. Por mais que você pratique preços baixos, o que importa não é o fato, e sim a versão", diz Abilio, avaliando que o grupo não teria sucesso se quisesse colocar à força na cabeça do consumidor que o preço baixou.No entanto, Diniz garante que os primeiros sinais de que o grupo está indo pelo caminho certo começam a aparecer. "Talvez estivéssemos um pouco acomodados. No ano passado resolvemos dar uma chacoalhada", conta. Como? Casseb explica que o processo inclui clima de brincadeira mesmo diante da necessidade de cortar custos. "Trouxemos para cá o boneco do Tio Patinhas e um retrato do meu avô turco, Jorge. Quem corta mais fica com o Tio Patinhas em cima da mesa e quem corta menos, mica com o retrato do meu avô, que vem assombrar."Além de 1.459 demissões no primeiro trimestre, o que deixou o grupo com 61.344 funcionários, a reestruturação também inclui novas relações com fornecedores no âmbito do desafio de melhores custos. Sem revelar o total do corte efetuado, Diniz e Casseb deixam escapar que já repassaram ganhos para os preços de vendas nos últimos três meses.Mesmo nesse cenário de contenção - os jornalistas tiveram direito a um só café durante as duas horas de conversa - Diniz não descarta a possibilidade de aquisições e confirma que está de olho no Atacadão, bem como nos seus maiores concorrentes, o Wal-Mart e o Carrefour.E o relacionamento de Casseb com Diniz? "Não estamos aqui para competir por espaço, poder ou prestígio. Estamos muito satisfeitos com o que tivemos na vida. Portanto, o desafio é intelectual e para se divertir.

Agencia Estado,

12 de junho de 2006 | 09h14

Tudo o que sabemos sobre:
empresas

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.