Para Amorim, preço do gás boliviano não pode ser só político

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que a discussão sobre o preço do gás boliviano fornecido ao Brasil tem condicionantes técnicos e não pode ser tratada só sob o ponto de vista político. O presidente da Bolívia, Evo Morales, vem ameaçando cancelar a visita oficial ao Brasil, prevista para a próxima semana, no dia 14, caso não haja um acordo prévio sobre o tema. Morales, segundo informações publicadas em jornais, quer que o governo brasileiro aceite um "preço político" para o gás.Amorim disse que, da parte do Brasil, a visita do presidente da Bolívia "não está condicionada a nada". Ele lembrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sempre demonstrado "a maior boa vontade" ao tratar do assunto. "É evidente que o tema tem inevitavelmente condicionantes técnicos", afirmou. "Não adianta querer discutir certas coisas só sob um ponto de vista político", completou.O ministro acha que deve haver um retorno justo para a Bolívia no fornecimento do gás. "Ninguém discute isso, nós somos os primeiros a defender, o presidente Lula tem defendido. Agora, tem que ser um projeto viável", avaliou. Na opinião de Amorim, essa negociação cabe à Petrobras, que é a empresa responsável pela importação. Os bolivianos querem que o Brasil pague US$ 5 por milhão de BTU (unidade de medida do gás), o mesmo valor cobrado da Argentina. A Petrobras paga atualmente cerca de US$ 4,2 por milhão de BTU.Amorim disse esperar que Evo Morales confirme sua vinda ao Brasil e que há entre os dois países uma agenda bilateral "vastíssima" para ser discutida, além dos temas que envolvem a entrada da Bolívia no Mercosul. "Obviamente que não se pode condicionar uma visita a um tema, porque isso fica muito difícil", afirmou Amorim, depois de receber o ministro dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Peter MacKay.

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