AMANDA PEROBELLI/ESTADAO
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Para analistas, alto endividamento vai limitar efeitos de saques do FGTS

Mesmo assim, liberação do saque de contas ativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) é vista como um fator positivo

Renato Carvalho, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2019 | 04h00

De modo geral, os analistas do mercado financeiro acham positiva a liberação do saque de contas ativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que deve ser anunciada pelo governo na próxima semana. No entanto, eles fazem a ressalva de que o alto nível de endividamento das famílias deve limitar os efeitos positivos para o varejo. E as construtoras não devem ser prejudicadas.

 

Para Mario Roberto Mariante, analista da Planner Corretora, é preciso esperar os detalhes sobre como serão as regras para os saques. Mas ele lembra o grande número de pessoas endividadas no País. “Com isso, pode-se imaginar que parte dos recursos liberados irão para o pagamento de dívidas atrasadas. Também teremos uma parte direcionada ao consumo, e outra para alguma poupança.”

Na opinião de Pedro Galdi, da Mirae Asset, muitas famílias devem “arrumar a casa” com os recursos. Ele diz ainda que mesmo a parte direcionada ao consumo terá efeito temporário na economia. Em relação às construtoras, ele ressalta que o governo mudou o discurso após as reclamações dos empresários. “Vamos ver o que eles irão oferecer para o sistema habitacional como troca, já que o interesse do governo é colocar dinheiro na economia para um pré-aquecimento, enquanto as reformas não se finalizam ou impactam a economia”, completa Galdi.

Alvaro Bandeira, economista-chefe do Modalmais, chama o plano de “movimento meramente episódico”. Para ele, os saques das contas ativas terão efeito limitado na recuperação da economia. “É claro que o setor varejista será beneficiado, mas os resultados não devem se alterar muito. O mesmo acontece com o setor de construção, que já vinha melhorando com desova de imóveis e maior volume de lançamentos. A garantia do Minha Casa Minha Vida deixou os construtores mais tranquilos”, afirma.

Ricardo Peretti, estrategista de Pessoa Física da Santander Corretora, tem uma visão mais otimista sobre a iniciativa do governo. Ele lembra que a liberação de saques de contas inativas do FGTS, no segundo semestre de 2017, teve impactos importantes no varejo.

“Embora as regras ainda não estejam definidas, acreditamos que a iniciativa terá um efeito prático positivo para as vendas das varejistas, tanto de vestuário quanto de itens mais discricionários. Indiretamente, as operadoras de shoppings, como Iguatemi e Multiplan, também podem se beneficiar do aumento do tráfego de consumidores em suas lojas”, explica Peretti.

Para Sandra Peres, analista da Coinvalores, há um risco para o financiamento de imóveis voltados para a população de baixa renda. “Por outro lado, o setor de varejo tende a ter melhor performance de vendas, dada a maior propensão ao consumo com o resgate destes recursos”, opina a analista.

Em relação às carteiras recomendadas para a próxima semana, a Guide Investimentos fez uma alteração, com a saída de Duratex ON e a inclusão de Bradesco PN. A Mirae também inseriu Bradesco PN em sua lista, e fez mais duas mudanças, com as entradas de Fleury ON e Usiminas PNA.

A MyCap também fez três alterações, com as inserções de Usiminas PNA, IRB Brasil Re ON e Taesa Unit. A Modalmais colocou CSN ON e Copasa ON em sua carteira. A Planner também fez duas mudanças, com as entradas de Neoenergia ON e Sanepar Unit. 

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