Para analistas, força do euro pode ter vida curta

O euro começou 2007 em tom positivo, mas sua força altista poderá não durar muito tempo. A recente alta do euro em relação a outras moedas fortes, como o dólar e o iene, deverá não só pressionar a atividade manufatureira, a assim reduzir a necessidade de elevar os juros na UE, mas também testar a determinação de políticos que permanecem preocupados com o crescimento das exportações em algumas partes da zona do euro. "A força do euro provavelmente não irá muito longe em 2007", afirmou o economista-chefe da Insinger, Stephen Lewis, em Londres. Os especuladores parecem já estar refletindo essas preocupações com o ritmo do euro, com os últimos dados da Bolsa Mercantil de Chicago mostrando que as posições líquidas compradas na moeda foram reduzidas para US$ 13,1 bilhões na semana encerrada no dia 2 de janeiro ante US$ 15,2 bilhões na semana anterior. "As posições líquidas compradas nesta semana atingiram o quinto maior nível na história, então, esse volume é de bom tamanho, mas é apenas 80% do recorde das três semanas anteriores", observou Greg Anderson, um estrategista monetário da ABN-Amro, em Chicago. Com o euro subindo para perto de US$ 1,33 (R$ 2,80, em 3 de janeiro), analistas técnicos ainda estão esperando uma valorização de médio prazo, o que poderia levar a moeda até o nível de US$ 1,3445 no fim do mês. Os analistas da Barclays Capital, em Londres, prevêem uma cotação além de US$ 1,33 para garantir que o euro amplie os ganhos feitos no fim de 2006. Porém, eles acrescentaram que "estrategicamente esperamos vender o euro no momento de alta." Tudo isso, claro, parece estranho para um mercado que entra em 2007 universalmente prevendo que o Banco Central Europeu não elevará apenas as taxas em 0,25 ponto porcentual durante o primeiro trimestre do ano, mas que o fará de novo antes do fim do segundo trimestre. Compare isso com o provável congelamento da política monetária dos Estados Unidos e ao avanço do euro parece garantido. Autoridades do banco central certamente ajudaram a estimular o movimento. Antes mesmo do fim do ano passado, o governador do Banco Central de Luxemburgo, Yves Mersche, afirmou que as taxas de juro da zona do euro permaneciam não só em suas mínimas históricas, mas que a política seguia acomodatícia. E, depois que o crescimento do M3 (medida da base monetária) da zona do euro atingiu 9,3% em novembro, ante 8,5% em outubro, sugerindo que os avanços anteriores tiveram pouco impacto sobre o crescimento monetário, não surpreendeu que o presidente do Banco Central da Finlândia, Erkki Liikanen, advertisse sobre os altos riscos de inflação. Além disso, há diversas declarações de bancos centrais sobre diversificação de suas reservas. "Uma vez que os bancos centrais estão mantendo quase o dobro de dólares em relação ao euro, a diversificação das reservas parece ser um ponto a mais em favor do euro", afirmou Lewis, do Insinger. Porém, isto não é tão simples como parece. Apesar dos fortes dados econômicos, ainda há alguma preocupação sobre o que a recente força do euro fará à atividade industrial da UE e como os políticos irão responder. Por exemplo, dados divulgados esta semana mostraram que em vez de subir um pouco mais como muitos esperavam, o último índice de compra para a indústria manufatureira caiu marginalmente. Stuart Bennet, economista-sênior para a zona do euro da área de corporate e banco de investimento do Calyon, em Londres, disse que apesar da queda no índice, o setor de manufatura continua crescendo e as taxas de juro serão elevadas em 0,5 ponto porcentual até o fim de junho. Lewis argumentou, porém, que "ameaças para a estabilidade econômica da zona do euro já estão no horizonte." "O principal ponto é a divergência na performance econômica entre Alemanha e alguns países-membros, em particular a França", ele disse. A economia francesa está diminuindo seu ritmo apenas meses antes das eleições presidenciais, o que tornará as políticas da França bem mais sensíveis a qualquer decisão por parte do Banco Central Europeu. "Como a economia francesa continua se enfraquecendo em relação à vizinha Alemanha, os líderes da França provavelmente irão se tornar mais severos em suas exigências pelas reformas que objetivam a desvalorização do euro", disse Lewis. Mesmo se o banco central permanecer firme e elevar as taxas de juro como o esperado, "os protestos de Paris chamarão atenção para o enfraquecimento na economia da zona do euro, com implicações potencialmente negativas para o euro", ele acrescentou. As informações são da Dow Jones.

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