Para especialista, BC não pode reverter queda do dólar no curto prazo

O Banco Central deverá intensificar as compras de dólares se quiser conter a queda do dólar, na opinião do ex-diretor da área internacional do BC, Emílio Garófalo, consultor da EBS Capital. "A única ação é acelerar compras, comprar ainda mais", disse em entrevista exclusiva à Agência Estado. No longo prazo, o consultor considera também como alternativa uma correção da política monetária. As compras, no entanto, não implicam uma reversão da tendência de queda da moeda, mas uma estabilidade maior. "Com muito esforço do BC, o dólar poderá ficar em R$ 2 nos próximos meses", afirmou. Até porque, Garófalo não considera que essa queda seja um movimento passageiro. "Temo que não seja passageiro. Isso não é uma onda que veio após a reunião do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), ela se acentuou após essa reunião". Na semana passada, o Fed sinalizou, em comunicado sobre sua última reunião de política monetária, que não deverá elevar os juros básicos norte-americanos no curto prazo. Por causa disso, segundo operadores do mercado de câmbio, o capital estrangeiro reapareceu no mercado doméstico. Para Garófalo, sem uma ação forte do BC, o dólar romperá os R$ 2,00 no curto prazo. "O dólar só não o fez ainda devido à ação do BC", explicou. Na sua avaliação, houve realmente uma aceleração das compras desde que o dólar acentuou a queda após a reunião do Fed. No ano passado, uma relativa estabilidade da moeda ao redor de R$ 2,15 foi conseguida com muitas compras pelo BC, que totalizaram cerca de US$ 30 bilhões, com as reservas internacionais encerrando o ano em torno de US$ 86 bilhões. Só neste início de ano até ontem as reservas haviam subido para US$ 92,315 bilhões. Para o final do ano, a projeção de Garófalo é que o dólar fique ao redor de R$ 2,20 "com o mundo permanecendo com a calma que está" e um pouco acima do patamar em 2008. "Existem duas estimativas. Aquela que desejo que seja e a que acho que vai ser. A que desejo é R$ 3,00", brinca.

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