Para Meirelles, é hora de repensar normas cambiais

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, declarou ontem que "o Brasil está num momento de repensar suas normas cambiais", mas evitou comentários mais específicos sobre a taxa de câmbio. Apesar de considerar a discussão extremamente válida e pertinente, ele afirmou mais de uma vez, em breve entrevista, que não há decisão tomada em relação a medidas cambiais. O tom do presidente do Banco Central foi diferente do usado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Ele informou que as medidas sairão nas próximas semanas e que é necessário impedir a flutuação (do câmbio) só para baixo. Para Meirelles, o mercado é que vai dizer que impacto as medidas terão no câmbio. Ele confirmou que o governo está estudando o tema, mas não se comprometeu com prazos. Enfatizou também que alterações não dependeriam só do Executivo, mas do Congresso. A maior parte das medidas que poderiam ser tomadas isoladamente pelo BC e pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sem depender do Congresso, já o foram, reiterou Meirelles. "Não vou arriscar a dizer que todas, porque a palavra 'todas' é muito forte", afirmou. Contou, porém, que está sendo feita uma análise para saber se o Conselho Monetário Nacional pode ainda fazer alguma alteração nas normas para o câmbio e se puder, disse, certamente ela será feita. Saldo Positivo - Meirelles lembrou que existem projetos sobre o tema tramitando no Congresso, como os dos senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Fernando Bezerra (PTB-RN), e confirmou que há outros no governo, em estudo, como o de não exigir mais que o exportador troque os dólares ganho na venda por reais e depois tenha de trocar de novo reais por dólares para cobrir despesas em outros países. Em favor das mudanças nas normas cambiais, Meirelles disse que o Brasil tem regras voltadas para reter dólares porque durante décadas teve carência de moeda estrangeira, mas "hoje, o Brasil está em uma situação totalmente inversa". Ele lembrou que nos últimos anos o Brasil tem tido saldo positivo nas transações comerciais e de serviços com o exterior e que o nível das reservas internacionais ultrapassa US$ 60 bilhões. Em palestra no 17.º Congresso Nacional de Executivos de Finanças, antes da entrevista, ele lembrou que em 2004 e 2005 o fluxo financeiro dos investimentos para o Brasil ficou negativo, enquanto o comercial foi positivo. Isso mostraria que a valorização do real não está sendo provocada pela entrada de dólares atraídos pelas altas taxas de juros, mas pelos grandes saldos comercias, que acumularam US$ 45 bilhões nos 12 meses até abril. Na exposição, destacou que o melhor caminho para uma queda na taxa de juro é o governo assegurar que a inflação está dentro da meta. Colaborou Mônica Ciarelli

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