Para Net, Telefônica na TVA representa 'concentração ofensiva'

O presidente da Net, Francisco Valim, atacou ontem o acordo para a compra da TVA pela Telefônica. "Ele não aumentou a competição", afirmou o executivo. "É um ato de concentração que chega a ser ofensivo." A aquisição foi vista por analistas de mercado como uma reação à presença da mexicana Telmex, dona da Embratel, no controle da Net. A Telmex é a principal concorrente da Telefônica no mercado latino-americano de telecomunicações."Eles querem todas as plataformas em São Paulo", afirmou Valim. "Só falta a radiodifusão." Ele não viu problema em a empresa adquirir participações da TVA fora de São Paulo. Mas, segundo o presidente da Net, por causa de cláusulas do contrato de concessão, não poderia comprar nada em São Paulo. O contrato veda o controle de empresas de TV a cabo na área de concessão. Por isso, a Telefônica decidiu ficar com somente 19,9% de participação na empresa de cabo em São Paulo, mas comprou 100% do MMDS, TV por microondas, na cidade. "O mercado relevante é TV por assinatura, e não cabo", argumentou Valim. "Por isso, não poderia ficar com nada."O mercado de TV por assinatura é pequeno quando comparado a outros serviços de telecomunicações. No primeiro semestre, o setor faturou R$ 2,6 bilhões, o que representa 7% dos R$ 34,5 bilhões que faturaram as operadoras de telefonia fixa. Se a diferença entre os mercados é tão grande, por que as empresas de telefonia consideram essencial distribuir conteúdo? Por causa do chamado triple play, estratégia de incluir em um só pacote serviços de voz, dados e vídeo. A Net tem hoje a oferta tripla de produtos (telefone, internet de banda larga e TV a cabo), e as operadoras de telecomunicações não.O temor das operadoras é perder seus melhores clientes para as empresas de televisão a cabo. Segundo a consultoria Accenture, as residências de classes A e B, com renda média mensal de R$ 4.866, correspondem a 24% do total no País, mas são responsáveis por 56% do faturamento mensal das operadoras de telefonia fixa com clientes residenciais. Existem cerca de 11,7 milhões de domicílios das classes A e B, um número quase coincidente com os 11 milhões de residências que têm TV a cabo. Além disso, o mercado de TV paga retomou o crescimento, com uma expansão de 9% no número de clientes no ano passado. A telefonia fixa, por outro lado, ficou estagnada.A Net tem como sócios a Telmex e as Organizações Globo. A Telmex, dona da Embratel, pertence a Carlos Slim, terceiro homem mais rico do mundo, que também controla a América Móvil, dona da Claro. Em 2005, a Telmex/América Móvil faturou US$ 31,3 bilhões e a Globo, US$ 2,5 bilhões. A TVA passou a ter como acionistas a Telefônica e a Abril. A Telefónica faturou US$ 48,5 bilhões em 2005 e a Abril, US$ 1 bilhão.EsperaNo domingo, a Telefônica, presidida por Fernando Xavier, anunciou a compra da TVA. A empresa assumiu 100% das operações de MMDS da TVA em São Paulo, Rio, Curitiba e Porto Alegre. Não existe limitação legal para que a empresa exerça o controle do MMDS. A companhia também comprou todos os papéis sem direito a voto das operações de cabo. Em São Paulo, ficou com 19,9% das ações ordinárias, porque seu contrato de concessão a impede de ser controladora de empresas de cabo em sua área. Em Curitiba, Florianópolis e Foz do Iguaçu, ficou com 49% das ações com direito a voto, pois a Lei do Cabo determina que 51% do controle devem ficar com brasileiros.O negócio ainda precisa ser aprovado pela Agência Nacional de Telecomunicações. "Acreditamos que a Anatel vai barrar", afirmou Valim, da Net. Ele ainda não tem planos de entrar na Justiça, caso a compra seja aprovada.

Agencia Estado,

31 de outubro de 2006 | 09h26

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