Para Ricardo Amorim, Brasil saiu definitivamente da crise

Presidente da Ricam Consultoria afirma que País tem condições de crescer 5% em média nos próximos anos

Luciana Xavier, da Agência Estado,

18 de setembro de 2009 | 11h41

O Brasil não só saiu da recessão técnica, graças à expansão de 1,9% do PIB no 2º trimestre, como já saiu da crise, garante o economista e estrategista de investimentos Ricardo Amorim. "Não falta nada para dizer (que saíamos da crise)", afirmou, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Após vários anos em Nova York, atualmente Amorim mora em São Paulo, onde preside a Ricam Consultoria, além de participar do programa semanal Manhattan Connection, na GNT.

 

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Para o economista, o Brasil tem condições de sustentar um crescimento de 5% em média nos próximos anos. Hoje o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, disse que a projeção do PIB para 2010 poderá ser revista dos atuais 4,5% para 5%. "Sou mais otimista. Acho que o Brasil deve crescer 5,5%, podendo chegar a 6% em 2010", afirmou Amorim.

 

Já para os Estados Unidos, as projeções do economista são menos animadoras. "Por alguns anos, creio que de dois a quatro anos, os EUA vão crescer muito pouco ou talvez não cresçam nada". Amorim disse que a redução do consumo, o aumento da poupança e do desemprego devem manter um cenário menos próspero para a economia norte-americana daqui para frente. "O consumidor (americano) está muito endividado", explicou. Amorim acredita que o nível da poupança norte-americano possa chegar a 10%, na contramão do consumo e do histórico do país, onde o nível da poupança chegou a ficar abaixo de 1% por vários anos.

Bolsa 

 

O eixo da economia mundial deve cada vez mais se concentrar nos países emergentes e para o Brasil isso deve se traduzir em melhores perspectivas para a Bovespa, disse Amorim. Para ele, a Bovespa deve caminhar na direção aos 200 mil pontos nos próximos cinco anos. "Não sei se vai chegar nesse nível ou ultrapassar. Mas a direção é essa", explicou.

No ciclo de retomada econômica mundial, liderado pelos emergentes, Amorim projeta também mais força para o real. "O dólar deve cair para R$ 1,55 no ano que vem e caminhar na direção de R$ 1 nos próximos cinco anos".

Segundo ele, o fato de o eixo da economia mundial estar nos países emergentes e não nos ricos deve beneficiar especialmente o Brasil, dado que a demanda dos países mais pobres é concentrada em commodities. Amorim acredita que, ao contrário dos Estados Unidos - onde a recessão deve ser em forma de "L", com pouco consumo e crescimento pífio nos próximos anos - no Brasil a trajetória da economia deve ser ascendente. "Acredito que teremos um aumento colossal da demanda por commodities".

Com uma projeção de crescimento da economia de 5,5% no ano que vem, Amorim avalia que o Brasil deve ficar entre os cinco países com melhor desempenho em 2010, atrás da China, Índia e Indonésia. "O principal risco que vejo é de a demanda chinesa não conseguir se sustentar. Mas acho que a chance de isso ocorrer é pequena", salientou.

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