Passada a eleição, EUA voltam ao foco

À medida que as pesquisas de intenção de voto do segundo turno apontavam o aumento da distância entre o presidente Lula e o candidato Geraldo Alckmin, os investidores ajustaram as posições no mercado financeiro levando em conta a vitória do candidato petista - algo que no jargão da área é conhecido como precificar, ou seja, dar preço a algum ativo. Por isso, os principais mercados do País não devem sofrer grandes solavancos ao longo da semana por conta do resultado da eleição. O que pode mexer com as cotações são os dados relativos à economia norte-americana. Por lá, a agenda da semana está carregada, começando por hoje, quando saem os números relativos à renda e ao gasto pessoal em setembro. No mesmo pacote será anunciado o índice de preços com gastos de consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês). A projeção mais freqüente dos analistas é de uma alta de 0,2%. Se for confirmada, o índice anualizado atingirá 2,4%. ?Ainda é um nível acima da zona de conforto determinada pelo Fed (Federal Reserve, o banco central americano)?, observa Newton Rosa, economista-chefe da Sul América Investimentos. Segundo ele, o Fed quer ver a inflação anual nos EUA entre 1% e 2%. Outro destaque da semana são os dados relativos ao mercado de trabalho americano em outubro, na sexta-feira. A expectativa dos analistas é de que 125 mil vagas tenham sido criadas no mês. Com isso, a taxa de desemprego deve manter-se inalterada em relação ao mês anterior, quando ficou em 4,6%. Os investidores também estarão de olho nos dados referentes à produtividade nos EUA em outubro, que saem na quinta-feira, e nos indicadores dos setores industrial e de serviços, na quarta-feira. O economista-chefe do Banco Credit Lyonnais, Dalton Gardiman, diz que qualquer indicador com resultado muito fora do esperado pode servir de pretexto para um movimento de realização de lucros no mercado acionário aqui e lá fora. Ele explica que os investidores aguardam pistas sobre a evolução da taxa básica de juros nos Estados Unidos. ?Os indicadores do mercado de trabalho podem indicar se os juros ficarão no nível atual por mais tempo ou se poderão recuar já no início de 2007?, exemplifica. Nesse contexto, Newton Rosa acredita que a tendência para a Bovespa na semana é de alta. No mercado de câmbio, o real tende a se valorizar, por conta dos resultados fortes da balança comercial. No mercado de juros, ele acredita que as taxas futuras deverão manter o ritmo de queda.

Agencia Estado,

30 de outubro de 2006 | 10h27

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