Pedido de falência do Independência está mais perto

Luciano Vacari, superintendente da Associação de Criadores de Mato Grosso, comenta situação do frigorífico

Alexandre Inacio e Luciana Xavier, da Agência Estado,

30 de setembro de 2009 | 15h55

Depois de a assembleia de credores do frigorífico Independência não ter sido instalada nesta última segunda-feira, 28, a possibilidade de que o pedido de falência da empresa seja feito na próxima semana ficou ainda mais próximo. Segundo Luciano Vacari, superintendente da Associação de Criadores de Mato Grosso (Acrimat) que concedeu nesta última terça-feira, 29, entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo, essa é uma possibilidade que não está descartada e que está cada vez mais presente. "Infelizmente estamos cada vez mais distantes da possibilidade de que um acordo seja feito. Não aceitamos a proposta feita pela empresa e queremos o pagamento de 100% dos nossos débitos", afirma Vacari.

 

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A proposta oficial do Independência é o pagamento integral dos pecuaristas com valores até R$ 80 mil a receber, porém, condicionados à obtenção de um novo crédito para a nova empresa que seria criada. "Temos que ser otimistas, mas não podemos aceitar essa proposta. Se todos os débitos com os produtores não forem pagos entraremos com pedido de falência na próxima semana, quando a assembleia acontecerá com qualquer quórum", afirma Vacari.

Mas não é apenas o problema do Independência que preocupa os pecuaristas. O processo de fusões e aquisições de frigoríficos em Mato Grosso também está provocando apreensão entre os produtores do Estado. Antes mesmo de a JBS ter anunciado a fusão com a Bertin, a empresa já havia arrendado cinco unidades de abate do frigorífico Quatro Marcos, que também enfrenta um processo de recuperação judicial. "No Estado, a JBS será responsável por 325 do abate de gado, mas em algumas regiões a concentração fará com que a empresa responda por 59% e isso não pode ser aceito", afirma.

Por esse motivo, os pecuaristas devem entrar com um processo no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), solicitando que a entidade avalie o processo de fusão da JBS e a concentração que está ocorrendo no setor. "Já encaminhamos o pedido para nosso departamento jurídico e vamos fazer de tudo para defender os interesses dos pecuaristas", afirma Vacari.

Segundo ele, a recentes mudanças nas indústrias frigoríficas ainda não provocaram grandes mudanças sobre os preços praticados no mercado. Vacari conta, no entanto, que na região nordeste de Mato Grosso, onde está instalada uma planta agora administrada pela JBS, o preço pago pela arroba do boi gordo está até R$ 4,00 abaixo do que o preço pago por frigoríficos de outras regiões. "As coisas não podem funcionar dessa maneira, precisamos fortalecer essa cadeia", afirma Vacari.

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