Pequeno investidor é alvo do Banco do Brasil

O Banco do Brasil destinou esforços à atração de investidores de varejo para a oferta pública de ações. A instituição veiculou propagandas sobre a venda dos papéis em jornais de grande circulação e na televisão. Foi a maior campanha publicitária desde a oferta dos Papéis de Índice Brasil Bovespa (PIBB), realizada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no ano passado. O BB reservou aos pequenos investidores até 20% do total da emissão. É uma posição agressiva em relação ao varejo, já que as outras empresas que realizaram ofertas recentes no País destinaram, no geral, apenas 10% a esse público. A operação do BB envolverá a venda de um total de 45,4 milhões de ações, que poderá ser acrescido de um lote suplementar de até 15% do total e, depois, de um lote adicional de até 20%, se houver demanda. Sexta-feira foi o último dia para os pequenos aplicadores realizarem suas reservas, mas será possível comprar as ações direto na Bolsa de Valores de São Paulo, pela cotação do momento do negócio, ou também se for lançado o lote suplementar. Nos jornais, a propaganda da oferta do BB ocupou o espaço de uma página inteira, na capa. Com foco na pessoa física, o anúncio afirmava que, com aplicação a partir de R$ 1.000,00, é possível adquirir ações de uma das instituições com presença marcante no mercado financeiro e que há cem anos é negociada em Bolsa de Valores. A propaganda também faz um alerta para a necessidade de leitura do prospecto da operação, principalmente da seção ?Fatores de Risco?. Na televisão, a campanha mantém o mesmo tom e conta com a presença da atriz Fernanda Montenegro. É ela quem recomenda a leitura do prospecto aos investidores interessados nas ações. O presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Marcelo Trindade, elogiou a campanha do BB. ?A propaganda é muito boa, com uma atriz de alcance nacional indicando o procedimento correto a ser adotado pelos investidores, que é a leitura do prospecto?, afirmou. De acordo com Trindade, toda a campanha foi aprovada pela autarquia, assim como as propagandas institucionais do banco. A aprovação é feita pela Secretaria de Registros. ?As empresas com oferta pública em andamento e que pretendem fazer propaganda da operação devem sempre submetê-la à CVM?, disse. Ao receber o material publicitário, a autarquia tem cinco dias para se manifestar. ?Se nesse prazo não falarmos nada, a propaganda está aprovada. Mas, normalmente, fazemos ajustes?, afirmou Trindade. Segundo ele, a CVM analisa se a campanha é enganosa ou induz os investidores, se contém o alerta para leitura do prospecto e se está otimista demais. ?Quando mostra muito entusiasmo, mandamos amenizar o tom.? Mesmo com a campanha, o BB terá de enfrentar um desafio a mais para atrair os investidores de varejo à operação. Trata-se da condição adversa do mercado acionário. A Bovespa acumula queda de 6% em um mês, sendo que as ações lançadas em ofertas recentes estão entre as que mais caíram, o que pode assustar os investidores. Além disso, a instabilidade do mercado atrapalhou a continuidade de algumas operações. A Brasil & Movimento (B&M), fabricante de bicicletas e motos com a marca Sundown, adiou a oferta de ações por três vezes, sendo a última por tempo indeterminado. A GP Investments adiou a oferta de certificados de depósitos de ações (BDRs) por um dia, devido à questão legal e às condições de mercado. A Porto Seguro atrasou por um dia a fixação do preço das ações na oferta pública, embora sem informar os motivos. A oscilação da Bolsa também prejudicou as operações que estão no forno, pois as empresas estão esperando melhores condições para ir a mercado. A reserva de ações do Banco do Brasil por investidores de varejo começou na segunda-feira passada e terminou na sexta-feira, dia 23. Para esse público, o pedido mínimo é de R$ 1 mil, e o máximo, de R$ 300 mil. Hoje será fechado o bookbuilding (coelta de intenções de investimentos para formação do preço da ação), e no dia 28 as ações estréiam no Novo Mercado da Bovespa. Do bloco que será vendido, 19,2 milhões de ações são da BNDESPar, 15,0 milhões pertencem à Previ e 11,3 milhões são da tesouraria do banco.

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