Perda de alguns fundos não é o fim do mundo, diz Mantega

Após abrir com alta, Bolsa chegou a cair 2,31%; para ministro, oscilação de mercado é 'normal'

Reuters e Agência Estado,

17 de agosto de 2007 | 12h13

O ministro da Fazenda Guido Mantega disse nesta sexta-feira, 17, que perder alguns fundos "não é o fim do mundo", se referindo à forte oscilação de mercado que a Bolsa de Valores de São Paulo está sofrendo nos últimos dias. Às 11h53, a Bolsa chegou ao pico de queda de 2,31%, após alta de 3,28 na abertura.  Veja também:Bovespa inverte tendência e cai 2,12%, após máxima de 3,28%Em movimento surpresa, Fed reduz taxa de redesconto a 5,75%Crise já respinga na economia realBolsa de Tóquio cai 11% em uma semana'Por enquanto', Brasil está seguro diante da crise, diz LulaBrasil sairá da crise como escolhido para investimentos, diz MantegaFechamento dos mercados nesta quinta-feira Em quase um mês, empresas brasileiras perderam US$ 209,7 biO sobe de desce do dólar Os efeitos da crise do setor imobiliário dos EUA    O ministro afirmou que, apesar de o dia nos mercados financeiros de todo o mundo ter sido mais nervoso ontem, os primeiros indicadores da manhã de hoje já mostram que os mercados se acalmaram. "Os mercados estão mais tranqüilos; as bolsas estão subindo. Aqui (no Brasil) também a Bolsa sobe e o dólar cai um pouco", afirmou ele, na abertura do encontro sobre Reforma Tributária com o grupo de Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), realizado em São Paulo.A crise no mercado hipotecário de risco nos Estados Unidos (subprime) provoca uma forte aversão ao risco. Os investidores migram de ativos arriscados (ações) para papéis sem risco. Além disso, investidores estrangeiros que têm recursos aplicados em países emergentes estão desfazendo sua posições para cobrir compromissos no exterior. O governo brasileiro tem minimizado a preocupação da crise americana. "Ontem (quinta-feira) o dia foi nervoso, mas os mercados se acalmaram", afirmou Mantega em declaração oficial. Na última quinta, a bolsa registrou queda de 8,82% ao longo do dia antes de fechar no negativo de 2,38%. "Vi que eminentes economistas tiveram perdas em fundos, mas isso não é o fim do mundo." Para tentar segurar sucessivas quedas dos mercados ao redor do mundo, o Federal Reserve (Fed) anunciou nesta sexta a redução de uma de suas taxas de juro na tentativa de melhorar as condições de crédito e acalmar os mercados financeiros. Alguns mercados mundiais apresentaram alta nesta manhã.  O índice europeu de ações FTSEurofirst 300, que operava em baixa antes do comunicado do Fed, avançava 3%, para 1.483 pontos. Em Wall Street, o índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, exibia valorização de 1,91%, aos 13.088 pontos. O Standard & Poor's 500 avançava 2,22%, para 1.444 pontos. O indicador tecnológico Nasdaq subia 2,13%, para 2.503 pontos.  Os mercados têm sido atingidos por temores sobre a instabilidade financeira seguindo problemas com empréstimos imobiliários de alto risco dos EUA, no chamado setor subprime. O aperto na situação de crédito já levou bancos centrais de diversos países a injetar recursos no sistema bancário para garantir liquidez ao sistema.  Brasil Na última quinta, o ministro afirmou que a forte oscilação no mercado financeiro é resultado de um movimento normal de investidores, chamado de stop loss - venda de ativos para limitar as perdas. Por isso, o governo não adotará nenhuma medida de controle de capital. Nesta sexta, ainda mantendo a opinião, Mantega ressaltou que "não cabe ao BC (Banco Central) se preocupar com a turbulência e com o câmbio". Para o ministro, a economia real do Brasil não foi abalada pela crise. "Trata-se de uma forte turbulência financeira, e esses aspectos negativos tem a virtude de pôr à prova os fundamentos do Brasil", disse. Segundo Mantega, é fácil dizer que os fundamentos estão bons em um momento de estabilidade. "Mas agora posso dizer que, apesar dessa fase de emergência, os fundamentos continuam bons", acrescentou. Mantega avaliou ainda que se essa crise estivesse ocorrendo há alguns anos, o Brasil estaria passando por um momento de fuga de capitais, o Banco Central (BC) teria elevado as taxas de juros de forma importante para "segurar a manada" e tornar atrativa a aplicação no País, mas isso de nada adiantaria pois os recursos sairiam da mesma forma. "O ministro da Fazenda ligaria para o FMI (Fundo Monetário Internacional) e diria: 'precisamos de sua compreensão e condescendência, vamos fazer lição de casa, mas precisamos de um empréstimo'", conjecturou. Mantega garantiu que "dormiu bem à noite" e tampouco foi a Washington (Estados Unidos). "Sequer liguei para o FMI. E isso mostra a diferença fundamental em relação a outros momentos de turbulência". O ministro ponderou, no entanto, que, apesar dessa expectativa de maior tranqüilidade, isso não significa que o Brasil não será atingido. "Sabemos disso porque o mercado tem ramificações, e hoje turbulências só estão ocorrendo em circuito do mercado financeiro". Célia Froufe e Paula Puliti, da Agência Estado   

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