Perdemos a capacidade de planejar o País, diz ministro

Em decorrência, hoje a indústria brasileira vive um período de "hiato de produtividade" e sofre com um déficit de estoque de capital fixo

ANTONIO PITA, Estadão Conteúdo

07 de agosto de 2014 | 13h17

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Mauro Borges, disse, nesta quinta-feira, 07, que o País perdeu, ao longo das últimas décadas, a capacidade de planejar seu crescimento e seus investimentos, sobretudo na área de infraestrutura. Em decorrência, hoje a indústria brasileira vive um período de "hiato de produtividade" e sofre com um déficit de estoque de capital fixo. Borges participou da abertura do Encontro Nacional de Comércio Exterior (Enaex), promovido pela Associação Brasileira de Comércio Exterior (AEB).

Segundo ele, é um "consenso" na agenda brasileira o "hiato" em relação à produtividade no nível de desenvolvimento industrial. "Como enfrentar esse grande hiato de produtividade é o que considero o grande desafio, que perpassa comércio exterior, indústria brasileira, o conjunto de infraestrutura", destacou.

"O País tem dois grandes déficits estruturais que se acumularam desde a segunda fase da industrialização, nos anos 70; o déficit de capital humano e o déficit de capital fixo", reforçou.

Segundo o ministro, o baixo estoque de capital fixo brasileiro passa pelo envelhecimento do parque fabril no País, hoje com média de 17 anos de uso. Para Borges, os países que hoje competem com o Brasil têm média de idade do parque fabril entre 7 e 8 anos. Além disso, o ministro destacou o "baixo nível de escolaridade e qualidade da educação, aquém da dimensão da economia brasileira".

"Esses dois estoques são na verdade elementos centrais para entender a baixa produtividade brasileira, que hoje é apenas 20% da produtividade dos Estados Unidos", afirmou Borges. "Este não é um problema do governo, é um problema do Estado brasileiro".

Borges ressaltou ainda que o déficit de capital fixo é mais visível na área de infraestrutura. "Perdemos a capacidade de planejar o País, de fazer projetos de qualidade, projetos macro de infraestrutura", avalia o ministro. Para ele, o governo está dando velocidade na retomada dos grandes investimentos. "Mas é um processo de maturação que alcançará plenitude em três anos, não é de um dia para o outro".

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