Perspectivas para renda fixa, bolsa e câmbio

Renda Fixa e Câmbio Um dos grandes entraves para uma mudança mais acentuada no perfil da dívida pública interna (que conta, atualmente, com 45% em Letras Financerias do Tesouro - LFTs, títulos indexados a Selic e, portanto, diretamente sensíveis às medidas de política monetária) é a adoção, por parte da maioria dos fundos mútuos e de fundos de hedge (excluindo os que são puramente de renda variável) do CDI como benchmark. Isso faz com que a demanda por LFTs mantenha-se elevada, visto que boa parte do indicador de performance pode ser garantida apenas comprando esses papéis (de alta liquidez) e mantendo-os em carteira - no final do período, tem-se a variação da Selic no período mais um pequeno prêmio (ou menos um desconto, dependendo das condições do mercado). Este ano, com um cenário evidente de juros básicos em queda, a diretriz do Tesouro de não emitir mais dívida pós-fixada - apenas pré-fixados e indexados à inflação - foi bastante facilitada, já que, nesse ambiente, é de se esperar que os pré-fixados tenham um desempenho melhor relativo às LFTs e que os fundos optem por carregar os primeiros. Mas, provavelmente, em um cenário de aperto monetário e de maiores incertezas, o Tesouro não teria tanta facilidade em rolar a dívida sem lançar mão de emissões de mais LFTs. A solução intuitiva para esse problema passa por mudar o benchmark (o parâmetro de remuneração) dos fundos. Obviamente essa não é uma tarefa fácil, já que a cultura de investir no Brasil passa por liquidez diária e baixa volatilidade. A Andima, porém, fez um esforço nesse sentido no ano passado, quando criou os IMAs - Índices de Mercado Andima. Os IMAs são índices que tentam replicar a dívida pública interna em posse do mercado, e são tanto divididos por indexador (dessa maneira, temos o IMA-B, para as NTN-Bs, o IMA-S, para as LFTs e assim por diante) quanto condensados em um índice geral. A tendência é que, caso se confirme a convergência do País para taxas de juros compatíveis com o resto do mundo, os fundos passem a demandar mais papéis pré-fixados, em busca de prêmios por maturidade, e abandonem gradualmente a tarefa de igualar a performance do CDI. Para que isso ocorra, porém, ainda há muito a ser feito: flexibilização na legislação dos fundos, abertura do mercado para estrangeiros (os grandes compradores naturais de papéis longos), definição de um benchmark claro para os fundos de pensão... A lista é grande e ainda devemos esperar vários anos para que tenhamos uma curva de juros líquida e desenvolvida. Ainda tratando dos índices da Andima: é interessante observar o desempenho dos três principais grupos neste ano. Os papéis indexados ao IPCA ainda são os de melhor performance, mesmo depois da grande queda sofrida nos últimos dois meses - a queda massiva nas expectativas de juros reais e a grande demanda desses papéis por estrangeiros explica boa parte desse comportamento. E, como mencionamos acima, as LFTs renderam menos que os pré-fixados, embora com baixíssima volatilidade e sempre acompanhando o CDI. Perspectiva Semanal Ações - No front nacional, a semana passada foi marcada pela reunião do Copom. A taxa Selic foi reduzida em 0,75 ponto porcentual, conforme previsto pela nossa equipe de economia e esta queda reforça nossa visão positiva para o mercado acionário brasileiro. A queda da Selic deve aumentar o apetite dos investidores locais por investimentos de renda variável e potencializar o momento positivo de crescimento de resultado das empresas, principalmente as dependentes do mercado doméstico. Dólar - Mais uma vez, a moeda chegou perto do suporte de R$2,10 sem conseguir rompê-lo. Nesses níveis de preço, o mercado perde a aceleração na queda. Nossa expectativa é que continue respeitando o suporte, oscilando entre R$2,10 e R$2,15 no curto prazo.

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