Pesquisas e impasses partidários

A pesquisa Datafolha divulgada no último domingo sinaliza a provável tendência do comportamento do eleitorado até o início da campanha: a estabilização de Lula nas intenções de voto e o crescimento de Alckmin. Numa disputa polarizada entre o petista e o tucano é natural que haja uma aproximação entre ambos em termos de intenção de voto. Tal como mostrou o Datafolha, as próximas pesquisas também deverão mostrar uma diminuição de diferença entre Lula e Alckmin nas simulações de segundo turno. Neste contexto, o crescimento de Alckmin deve ser considerado natural. Alguns analistas chegam a dizer que ele poderia ter crescido mais, ocupando o espaço deixado por Serra. De qualquer forma, a pesquisa foi positiva para o candidato tucano, pois é demonstrativa de seu potencial de crescimento. Além de sinalizarem o potencial da sua candidatura, os números, aparentemente, indicam que ele não correrá risco de não ir para o segundo turno se o PMDB lançar como candidato Anthony Garotinho. As pesquisas anteriores apontavam para uma diferença pequena entre os dois. Agora, Alckmin aparece com 23%, contra 12% de Garotinho e 42% de Lula. O potencial de crescimento de Alckmin deverá ser um fator de chancela do anúncio da aliança entre PSDB e PFL. A pesquisa do Datafolha, no entanto, apresenta uma significativa discrepância em relação à pesquisa do Ibope, divulgada na semana passada, em torno de um ponto. Segundo o Datafolha, a aprovação pessoal do presidente Lula caiu de 53% (fevereiro) para 44% em março. Já a pesquisa do Ibope indicava que a confiança em Lula subiu de 43% (dezembro) para 53% em março. Para o Ibope a aprovação da maneira como Lula governa subiu de 42% para 53%. Nenhum fato significativo ocorreu no percurso dos dois campos das pesquisas para que justificasse tal discrepância. O que as duas pesquisas têm em comum é a avaliação do governo. Ambas consignam 38% de ótimo e bom, com viés de alta. Outra pesquisa que tem movimentado o meio político é a do Datafolha sobre a disputa para o governo do Estado de São Paulo. O prefeito José Serra aparece com larga vantagem sobre os demais candidatos. Em todos os cenários ele se elegeria no primeiro turno. Até o momento da divulgação da pesquisa era remota a possibilidade de o prefeito deixar a prefeitura para concorrer o governo do Estado. Mas a pesquisa balançou sua convicção de não concorrer. No mínimo, Serra abriu uma janela para examinar com minúcias possibilidade de candidatar-se a governador. Terá pouco tempo para decidir, já que teria que se desincompatibilizar do cargo até o dia 31 de março. No PT, os dois pretendentes a disputar o governo do Estado - Marta Suplicy e Aloísio Mercadante - apresentam um desempenho quase igual. PMDB - As prévias do PMDB realizadas domingo tiveram apenas caráter informal e indicativo, já que a Justiça havia suspendido sua realização. Assim, o resultado das prévias não oficializa a definição de um candidato. A convenção do PMDB, em junho, poderá acatar ou recusar a indicação. Na medida em que a consulta aos filiados foi informal, a convenção poderá decidir com mais autonomia. Embora a estrutura do cenário sucessório esteja definida com o lançamento da candidatura Alckmin, a confusão política do PMDB interpõe ainda um significativo grau de incerteza ao quadro das candidaturas e das tendências eleitorais. Em grande medida, a definição do PMDB é o fator que regulará o grau de possibilidade de a eleição presidencial se definir no primeiro ou no segundo turno. Se o PMDB não lançar candidato, existe uma chance maior de a eleição se definir no primeiro turno. Se o PMDB lançar candidato, dificilmente não haverá segundo turno. Mesmo vitorioso nas prévias, a partir do critério da média ponderada de votos em cada Estado, Garotinho sai enfraquecido porque não obteve a maioria dos votos dos peemedebistas. Até a data da convenção que homologará ou rejeitará o nome de Garotinho, o PMDB deverá ser sacudido por muitas batalhas internas. Uma ala significativa do partido defende a tese do não lançamento da candidatura própria se o STF mantiver a verticalização. Sem candidatura presidencial, o PMDB se sentiria livre nos Estados para construir coligações amplas e variadas em torno de seus candidatos aos governos estaduais. A aposta deste setor é que, com esta tática, o PMDB poderá eleger o maior número de governadores, de deputados federais e de senadores, tornando-se o fiel da balança do próximo governo federal, seja quem for o presidente da República. Palocci - Antônio Palocci voltou a ficar numa situação difícil depois que apareceu o caseiro Francenildo dos Santos Costa testemunhando que o ministro freqüentava a chamada ?mansão do lobby?. Palocci havia afirmado à CPI dos Bingos que nunca estivera na mansão. O presidente Lula deu todo o apoio ao ministro, recriminando a oposição por lançar mão de expedientes da sua vida privada para atingi-lo. Na próxima semana, Lula deverá anunciar uma reforma ministerial por conta das desincompatibilizações de ministros que concorrerão a cargos eletivos.

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