Petrobras, Braskem e Ultra oficializam compra da Ipiranga

A compra das Empresas Petróleo Ipiranga será oficializada hoje, em São Paulo, pela Petrobras, Braskem e Grupo Ultra. Os detalhes do negócio, um dos maiores do setor químico e petroquímico dos últimos tempos, serão revelados a partir das 9 horas, em entrevista convocada pelas três companhias que vão concentrar as divisões da Ipiranga.A área de distribuição de combustível fica com a Petrobras e o Ultra, e a área petroquímica, com a Petroquisa, subsidiária da estatal, e a Braskem. A aquisição, antecipada pelo jornal O Estado de S. Paulo no sábado, foi selada na última sexta-feira, em reunião do Conselho de Administração da Petrobras, no Rio de Janeiro. Não se sabe o montante envolvido, mas o mercado estima em US$ 1,5 bilhão o valor da Ipiranga.A antecipação da informação da venda causou agitação ontem no eixo Rio-São Paulo-Porto Alegre, onde estão as sedes dos grupos envolvidos no negócio. Petrobras, Braskem e Ipiranga se esquivaram de comentar o assunto. Uma porta-voz do Grupo Ultra em São Paulo informou, por meio de nota, que a empresa "tem demonstrado, ao longo de seus 70 anos, opção estratégica por crescer, seja por via orgânica ou por aquisições" e "trará informações ao público no momento adequado."HistóricoO Grupo Ipiranga iniciou atividades como pequena refinaria de petróleo no Rio Grande do Sul em 1937 e completaria 70 anos no dia 7 de setembro. Hoje atua nacionalmente na distribuição de combustíveis e produtos químicos, petroquímica, refino de petróleo, produção de asfaltos e lubrificantes.No ano passado, a companhia obteve receita líquida de R$ 21,6 bilhões, 13,4% superior à de 2005. O lucro foi de R$ 533,8 milhões, um aumento de 3,1% ante o ano anterior.A Ipiranga é controlada por cinco grupos familiares: Tellechea, Ormazabaal, Gouvêa Vieira, Matos e Aguiar. São mais de 60 acionistas que, segundo fontes do mercado, queriam vender a companhia integralmente, não em partes, como já foi cogitado no passado.PetroquímicaA divisão petroquímica do Grupo Ipiranga será assumida pela Braskem, maior companhia do setor na América Latina, controlada pelo Grupo Odebrecht, e pela Petroquisa.A área de petroquímica é formada por três empresas: a Ipiranga Petroquímica (IPQ), com capacidade para produzir 700 mil toneladas de polietileno e polipropileno por ano em cinco unidades industriais no Pólo Petroquímico de Triunfo (RS); a Empresa Carioca de Produtos Químicos (EMCA), do Pólo de Camaçari (BA), responsável pela produção de óleos minerais e fluídos especiais; e a Ipiranga Química, que cuida da distribuição de produtos químicos e petroquímicos no Brasil.PetróleoA divisão de petróleo terá outro destino. Além da Ipiranga Asfalto e da Refinaria de Petróleo, com capacidade para refino de 12,5 mil barris por dia - localizada em Rio Grande (RS) -, o grupo tem duas empresas de distribuição de combustíveis e é hoje a segunda maior do País, atrás da BR. São mais de 5 mil postos no território nacional. Esse negócio deverá ser assumido pela Petrobras e pelo Ultra.Com a área de distribuição da Ipiranga, a Petrobras poderá elevar o controle do mercado de combustíveis dos atuais 32% para 50%, participação que terá de ser submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).Não há detalhes sobre o que deverá ocorrer com os negócios de gás natural e exploração de petróleo. A Ipiranga mantém participação de 20% na companhia Transportadora Sulbrasiliana de Gás (TSG) e detém mais 26% da Usina Termogaúcha. Em prospecção de petróleo, o grupo mantinha fatia de 20% de uma área de exploração no Campo de Camamu e outros 40% num campo no Recôncavo Baiano.Na BovespaAs ações da Ipiranga tiveram forte elevação na sexta-feira, o que alimentou rumores de que o negócio havia sido fechado. O principal papel da Ipiranga se valorizou 3,57%, num dia em que o índice Bovespa recuou 1,27%.A Petrobras chegou a disputar a Ipiranga com outras empresas, como a espanhola Repsol, em um processo de venda que movimentou o mercado de combustíveis no início da década. Outros grupos também manifestaram interesse, como a italiana Agip, a francesa Total Fina, a British Petroleum, do Reino Unido, e a americana ExxonMobil, dona da Esso.As negociações, na época, não chegaram a nenhuma conclusão, segundo analistas, devido ao alto preço pedido pelos acionistas para a companhia, que enfrentava dificuldades financeiras.Além disso, a intrincada teia de acionistas dificultava a melhor avaliação dos compradores. Nos últimos anos, porém, a Ipiranga passou por um intenso processo de saneamento financeiro. Colaboraram Cleide Silva, Kelly Lima, Nicola Pamplona e Rafael Sigollo.

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