Petrobras descarta aumento na distribuição de dividendos

O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, sinalizou durante teleconferência para analistas e investidores sobre o plano estratégico 2007-2011 que a empresa deverá manter sua política de distribuição de dividendos. Gabrielli foi questionado porque, apesar de o preço do petróleo em alta estar gerando mais lucro, todo recurso adicional acaba sendo utilizado para investimentos, enquanto a distribuição de dividendos está sempre entre 28% e 29%. "Os acionistas são muito bem remunerados, temos que lembrar que esses investimentos aumentam o valor da companhia e a taxa de retorno sobre o capital passou para 16%", afirmou Gabrielli. Ele ainda perguntou: "Em que aplicação no mercado financeiro o investidor conseguiria tal retorno?" No plano de negócios anterior, a taxa de retorno era de 15%, portanto, houve uma elevação de um ponto percentual no novo plano, o que pode ser explicado pelo aumento dos preços do petróleo. Na curva de longo prazo traçada para o preço do barril houve uma elevação de US$ 10. Esse foi inclusive um dos motivos para a revisão do plano de negócios com aumento dos investimentos de US$ 52,4 bilhões previstos no anterior, para os atuais US$ 87,1 bilhões. A maior parte da alta nos investimentos vem de novos projetos, mas existe ainda um item chamado alterações no escopo, que motivou o aumento de US$ 1,8 bilhão, e alteração no modelo de negócios, com US$ 2,9 bilhões. Esses dois tópicos não foram detalhados pelo presidente da Petrobras. Gabrielli disse não poder dar um exemplo de projeto que tenha sofrido alguma alteração. Logo depois da divulgação do plano, na sexta-feira, alguns especialistas do setor de energia chegaram a dizer que o aumento dos investimentos poderia ter uma motivação política, em razão das eleições do final do ano. Não se tocou no assunto durante a teleconferência, mas Gabrielli deu o seu recado ao reclamar que alguns analistas esquecem que os campos envelhecem e apenas para manter a mesma produção de hoje já são necessários investimentos altos. Da produção prevista para 2011, de 1,8 mil barris de petróleo por dia, 1,1 mil será apenas para repor o declínio na produção dos campos maduros. "Temos um declínio de 9% na produção, que precisa ser constantemente reposto para mantermos a auto-suficiência", disse. Quinze projetos estarão em operação em 2011, sendo que três deles tiveram mudanças em seus cronogramas: Golfinho foi antecipado para 2009, enquanto Roncador e Marlim Leste foram postergados para 2011 e 2009, respectivamente.

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