Petrobras deve exportar 850 milhões de litros de álcool

O diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa, disse hoje que a previsão de exportação de álcool por meio da empresa este ano é de 850 milhões de litros, ante cerca de 600 milhões de litros no ano passado. Venezuela e Nigéria devem ser novamente, a exemplo do ano passado, os destinos do álcool exportado. A capacidade da Petrobras hoje é para a exportação de até 1 bilhão de litros.Segundo ele, todos os contratos para exportação do combustível estão sendo negociados no mercado à vista, mas a Petrobras está tentando firmar contratos a longo prazo, a exemplo do que tem com a Mitsui, no Japão, para exportar 3 bilhões de litros por um período de 20 anos, a partir de 2011. No ano passado, a estatal esteve "próxima" de fechar negociação de médio prazo com a Venezuela, mas o acordo não foi adiante.O diretor afirmou ainda que os contratos de venda do álcool são os primeiros passos da estatal neste mercado mundial. "Somente com esses contratos em mão é que fecharemos negócios e concluiremos os estudos sobre de que forma que entraremos na produção e ainda levaremos adiante os projetos de alcoolduto, principalmente o que vai ligar Goiás ao Estado de São Paulo, permitindo a exportação do volume de combustível na região Centro-Oeste do país, uma das mais promissoras na construção de novas unidades produtivas."Queremos ter a certeza de garantir o abastecimento do álcool que vamos vender. Não há a menor hipótese de o comprador do mercado internacional ter álcool num dia e não ter no dia seguinte", disse Costa.Ainda segundo o diretor, a Petrobras ainda estuda a possibilidade de comprar navios próprios para o transporte do álcool. "Isso está em estudo. Por enquanto ainda estamos utilizando navios fretados", disse.Financiamento do JapãoO presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, assinou hoje, na sede da empresa no Rio, memorando de entendimento com o diretor-executivo do Japan Bank for International Cooperation (JBIC), Hiroshi Saito, para avaliar a possibilidade de financiamento de projetos de biocombustíveis, em desenvolvimento pela companhia em associação com empresas japonesas, no Brasil e no exterior. Os projetos avaliados incluem a produção e a comercialização de etanol (álcool combustível) e biodiesel, bem como projetos de geração de bioeletricidade a partir do bagaço de cana-de-açúcar e oportunidades de obtenção de créditos de carbono."Num primeiro momento, se fala apenas da exportação de álcool. Mas temos a intenção de construir no futuro complexos energéticos, que vão produzir o etanol da cana-de-açúcar, aproveitar o bagaço para a geração de energia e também no seu processamento para aproveitamento da biocelulose que gera mais álcool, e também produzir no mesmo local o biodiesel que poderá ser utilizado pela frota e caminhões, tratores e máquinas agrícolas que vai atuar nessa produção", explicou o presidente da estatal.Segundo informou Gabrielli, a idéia é que o banco de fomento japonês financie principalmente a produção e logística de transporte para os cerca de 3,5 bilhões de litros de álcool que o Brasil vai exportar, via Petrobras, em 2011. Pelo menos 90% desse volume será destinado ao mercado do Japão, em cumprimento ao contrato entre a estatal e a japonesa Mitsui, que criou a joint-venture Nippon Alcohol Hanbai. O álcool será adicionado na proporção de 3% ao litro de gasolina.Segundo o diretor financeiro e de Relações com Investidores, da Petrobras, Almir Barbassa, apenas para atingir ao volume de 3,5 bilhões exportados em 2011, deverão ser investidos cerca de US$ 5 bilhões. Este valor está incluído no total de US$ 8 bilhões que a Petrobras pretende investir em 40 plantas de produção de álcool no país. "Todos os volumes e valores são dinâmicos porque ainda estamos avaliando uma série de projetos em outros países", considerou o presidente da estatal.

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