Petrobras discorda das novas regras do leilão da ANP

O diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, expressou "completa discordância" com as novas regras do leilão da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que prevê um limite de arremates de áreas por empresa. "Esta discordância foi expressada pela Petrobras e por outras empresas que atuam no Brasil por meio do IBP, antes de o edital ser publicado. Agora, que ele já saiu, nos cabe cumprir as regras, mas sob protesto", disse.Segundo ele, as novas regras não fazem "o menor sentido". "Nenhuma companhia pode concordar com isso e nós não concordamos. Limitar a ação da Petrobras e de outras empresas no Brasil é inaceitável sob o ponto de vista empresarial. É um contra-senso para com a busca da competitividade e a concorrência", disse.Indagado por jornalistas se esta não seria uma forma de o Ministério de Minas e Energia e a ANP reduzirem o predomínio da Petrobras no leilão e dar maior oportunidade às demais empresas, Estrella se exaltou: "Agora vai se proibir a atuação da Petrobras no Brasil? Por quê? Por que as outras empresas não investem da mesma maneira no Brasil, não participam nas licitações da mesma maneira que a Petrobras. É um mercado aberto. Não tem cabimento restringir a capacidade de investimento da Petrobras na Exploração e Produção. Eu, como geólogo e como diretor da Petrobras, tenho que demonstrar minha completa indignação quanto a isso".Estrella disse que, em sua avaliação, há uma tendência de aumento no valor dos bônus de assinatura oferecidos pelas empresas concorrentes no leilão da ANP, que acontece nos dias 28 e 29 de novembro. "Não posso afirmar claramente que vai ser maior, mas há uma tendência de mercado de que os lances sejam maiores este ano ou pelo menos iguais aos maiores feitos na Sétima Rodada", comentou.A tendência de aumento ocorreria tanto pelas novas regras da ANP - que limitam o número de áreas a ser arrematada por cada empresa - quanto pela disposição das petrolíferas de investir. "É natural, está na essência da licitação. Petróleo mais caro, áreas boas. Deve haver um maior interesse", disse.A prioridade da Petrobras para o leilão, segundo ele, será apostar nas áreas de gás natural e petróleo leve na Bacia do Espírito Santo e na Bacia de Santos, principalmente as localizadas no entorno de descobertas da Petrobras já feitas pela estatal.

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