Petrobras investirá US$ 2 bi em gás na Venezuela

A Petrobras planeja investir US$ 2 bilhões no projeto Mariscal Sucre, de produção de gás natural na Venezuela. O negócio pode marcar a estréia da estatal brasileira no mercado de gás natural liquefeito (GNL), já que prevê a liquefação do combustível para venda no mercado internacional no fim da década. A proposta foi apresentada nas últimas semanas à estatal venezuelana PDVSA e a expectativa é de que o contrato entre as duas partes seja assinado até o fim do ano.O investimento em Mariscal Sucre ainda não consta do planejamento estratégico da Petrobras para o período entre 2006 e 2011, pois ainda não há contrato assinado, disse o diretor internacional da companhia, Nestor Cerveró. O executivo detalhou ontem o plano de investimentos para as atividades no exterior, que mostra uma mudança de rumos na companhia, que agora dá maior atenção ao Golfo do México e à África do que à América do Sul. Até então, o continente era o principal foco de crescimento no mercado externo, com 44% do total. Hoje, os investimentos nos vizinhos sul-americanos ficaram reduzidos a 23%.Cerveró negou que as turbulências políticas na região tenham influenciado a mudança. "Ainda queremos crescer na América do Sul", afirmou, explicando que os projetos da estatal para a região estão concentrados na distribuição de combustíveis, setor que demanda menos recursos. "Os grandes investimentos em exploração e produção, que são mais caros, serão feitos nos Estados Unidos e na África", concluiu. A América do Sul, excluindo a Venezuela, vai receber US$ 2,8 bilhões até 2011, ante um orçamento de US$ 5,4 bilhões previsto para Américas, África e Eurásia.Outros US$ 3,9 bilhões foram reservados a novos projetos, ainda em análise. Entre eles, estão a aquisição de refinarias nos Estados Unidos, Europa e Ásia, o desenvolvimento de novas descobertas e o projeto venezuelano de gás natural. O GNL entrou na lista de prioridades da companhia, já que é um dos mercados com maior ritmo de crescimento no setor. "A tendência é de que o gás se torne tão valorizado quanto o petróleo", afirmou o gerente corporativo da área internacional da Petrobras, Cláudio Castejon.Cerveró disse que a Petrobras pretende ter 35% do projeto, que será controlado pela estatal venezuelana PDVSA. Em uma primeira fase, com início no fim da década, Mariscal Sucre deve produzir até 20 milhões de metros cúbicos por dia. Parte desse volume deve ser destinada ao mercado interno e o restante exportado, principalmente para o mercado americano.O projeto chegou a ser negociado com a Shell até o ano passado, mas depois foi aberto à Petrobras em um convênio negociado entre os governos do Brasil e da Venezuela.

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