Petrobras já estuda novo desenho para a PQU

A Petrobras, a Suzano e a Unipar abriram negociações para reestruturar a principal central petroquímica de São Paulo, a União (PQU), localizada em Mauá, Grande São Paulo. As duas já participam de outra central, a Riopol, no Rio de Janeiro. Lá, possuem o controle com 66% do capital e contam com a participação minoritária da Petrobras. Segundo José Ricardo Roriz Coelho, co-presidente da Suzano Petroquímica, a reestruturação ?é uma negociação difícil?, mas já foi iniciada.Suzano e Unipar buscam o que a Braskem já tem: o controle de centrais petroquímicas para fornecer insumo barato para a própria produção de resina termoplástica, o que o mercado chama de integrada. A operação é integrada no Rio, mas não em São Paulo.A Braskem, controlada pelo Grupo Odebrecht, conseguiu isso quando incorporou a Copene e agora, com o acordo de compra do Grupo Ipiranga. Além de ganhar a participação majoritária na Ipiranga Petroquímica (60%), terá o controle da Copesul, com a Petrobras, que deterá 40% do negócio.Segundo Coelho, embora a negociação com a Petrobras já tenha começado, não há data para a conclusão. ?Não será fácil, já que, além das divergências estratégicas entre Suzano e Unipar, ambos os candidatos a liderar a petroquímica no Sudeste precisam de uma solução para os demais sócios da PQU.A PQU tem sete sócios, entre eles a Dow Brasil, com 13%. A reestruturação societária da PQU vida a ampliar a participação da Petrobras, hoje de 17,4%. Ter a Petrobras como sócia é condição chave para o setor. A estatal é praticamente a única produtora de petróleo e fornecedora de matéria-prima, com quase 99% do refino no Brasil.Segundo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), o modelo petroquímico, com participação minoritária, mas forte peso da Petrobras, é resultado da estrutura do mercado de petróleo no Brasil. Sem quase concorrência na produção e no refino, a única chance de competitividade na petroquímica é ter a estatal entre os sócios. ?Não é por acaso que esse setor não tem atraído nenhum investidor internacional. E, da forma como o setor esta articulado, não tem como atrair?, afirma Pires.A compra da Ipiranga Petroquímica distanciou ainda mais a Braskem dos principais concorrentes. Segundo cálculo da MaxiQuim, uma consultoria do setor, a receita líquida da Braskem com os ativos da Ipiranga sobem para R$ 21,3 bilhões. ?A receita de Suzano e Unipar, principais participantes da petroquímica no Sudeste, não chega a R$ 10 bilhões. Não é nem a metade do tamanho atual da Braskem e, além disso, ambas estão numa estrutura não totalmente integrada?, explica João Luiz Zuñeda, sócio-diretor da Maxiquim.A Braskem se tornou ainda mais líder na produção de matéria-prima petroquímica. Com a Copesul, terá 2,4 milhões de toneladas de eteno, uma das matérias-primas mais importantes para a cadeia do plástico.CompensaçãoUnipar e Suzano são as futuras parceiras da Petrobras para consolidar a estratégia de fortalecimento da petroquímica no Sudeste, disse o diretor de Abastecimento e Refino da estatal, Paulo Roberto Costa. Indagado sobre o fortalecimento da Braskem nas Regiões Sul e Nordeste, o diretor destacou que a Petrobras ?está atenta?.?A Petrobras não é reguladora do mercado, mas catalisadora dos investimentos. Não cabe a nós promover este ou aquele mercado, mas cumprir nosso plano estratégico, que prevê maior participação da Petrobras no segmento, além de contribuir com o fortalecimento da indústria petroquímica nacional para que ganhe mais competitividade internacional?, disse.O presidente da Petroquisa, José de Lima Andrade Neto, disse que é um ?próximo passo desejável? pela Petrobras o rearranjo da petroquímica no Sudeste. Ele negou, entretanto, que a aproximação com a Unipar e com o grupo Suzano em investimentos num futuro próximo estejam relacionados diretamente à composição acionária do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).?Estamos falando inicialmente de ativos já existentes, como foi o que ocorreu com relação à Ipiranga?, comentou. Ele confirmou que a Unipar e Suzano podem ser incluídos no Comperj, negócio estimado em US$ 8,5 bilhões. ?Sim, eles estão mais próximos, mas estamos discutindo com todos os grandes players?, afirmou.

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