Petrobras negocia GNL do Ceará para Gasoduto Meio Norte

A Petrobras tem planos para despachar parte dos 6 milhões de metros cúbicos diários de gás natural liquefeito (GNL) que virá da planta de regaseificação do Ceará para o Gasoduto Meio Norte, projeto que integrará Piauí e Maranhão à malha de dutos nordestina a partir de Pecém (CE). De acordo com o presidente da TMN Transportadora (empreendedora do duto), José Carlos Garcez, a empresa negocia com a estatal um volume de gás para atender a demanda inicial do projeto. "A quantidade ainda não está acertada, mas temos uma carta de compromisso da Petrobras que assegura parte do GNL de Pecém para o gasoduto", explica o executivo.Previsto anteriormente para operar com gás nacional, o Gasoduto Meio Norte será suprido inicialmente com gás importado. Além do GNL da planta do Ceará, cujo fornecedor ainda não está definido, o duto faz parte do trecho brasileiro do Gasoduto da Venezuela. "A questão do gás está assegurada. Além do GNL, temos a possibilidade do gás venezuelano ou do gás nacional, com a implementação do Gasoduto Sudeste-Nordeste (Gasene)", afirma Garcez. O novo duto nordestino terá 948 quilômetros de extensão e capacidade de transportar 5,035 milhões de metros cúbicos de gás por dia.Dispondo da licença de instalação (LI) e da autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para construir o gasoduto, Garcez diz que resta apenas o enquadramento na Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) para obter os recursos do encargo para executar as obras. Estimativas da TMN indicam que o duto demandará R$ 2,3 bilhões. A idéia da TMN é financiar 100% do projeto com recursos da CDE, mas não está descartado o aporte de recursos dos sócios da transportadora - os estados de Maranhão e Piauí, a Petrobras e a Termogás. "Essa questão depende do nível de cobertura da CDE em relação ao valor total do investimento", justifica o executivo.O acesso aos recursos depende da publicação do manual de instruções para o enquadramento da CDE. A TMN, de acordo com Garcez, aguarda a revisão do manual lançado em 2006 pelo Ministério de Minas Energia (MME). Atualmente, o Maranhão não dispõe de gás natural e a distribuidora de gás canalizado local, a Gasmar, está em fase pré-operacional. O mercado conta com grande potencial, em razão da presença de clientes importantes como Alcoa e Companhia Vale do Rio Doce. Já na Gaspisa, do Piauí, as vendas não ultrapassam 70 mil metros cúbicos diários.

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