Petrobrás recua 5% e Bolsa fecha em baixa

Reunião do conselho da estatal se estendeu durante quase todo o dia e não há informações de que o balanço auditado de 2014 tenha sido discutido durante o encontro, o que frustrou o mercado 

Claudia Vilante, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 17h57

A Bovespa mais do que devolveu a alta da véspera nesta quinta-feira, 26, afetada pela aversão ao risco global em razão da crise militar no Iêmen e em meio à expectativa pela reunião do Conselho de Administração da Petrobrás. Os papéis da estatal caíram 5% sem o mercado ter conhecimento do que foi discutido no encontro. A reunião se estendeu durante o dia e muitos investidores se desfizeram das ações.

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 2,47%, a maior queda num único dia desde os -2,57% de 19 de janeiro de 2015. Encerrou aos 50.579,85 pontos. Na mínima, marcou 50.528 pontos (-2,57%) e, na máxima, 51.835 pontos (-0,04%). No mês, acumula perda de 1,94% e, no ano, de ganho de 1,15%. O giro financeiro totalizou R$ 6,488 bilhões.

O mercado tem esperança de que o Conselho da Petrobras tenha debatido o balanço do terceiro trimestre e de 2014 auditados hoje. Ontem, informação do Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, dava conta de que a empresa teria chegado a uma fórmula para calcular a perda com a corrupção investigada pela Lava Jato. A estatal, no entanto, desmentiu no final do dia que tivesse data para a divulgação do balanço e que ainda estaria avaliando o tratamento contábil adequado para os pagamentos indevidos. O que jogou água fria sobre a esperança dos agentes.

Hoje, para ajudar, a ex-presidente da empresa Graça Foster declarou, em CPI que investiga a estatal na Câmara, que o dólar a R$ 3 é ruim para a empresa. E é justamente onde a moeda está, o que deve reduzir a recomposição de caixa da Petrobras com o aumento dos combustíveis. Petrobrás ON caiu 5,04%, PN, 4,98%.

A expectativa com o encontro do Conselho da Petrobrás influenciou também o setor financeiro e Vale, que igualmente fecharam em baixa. No caso dos bancos, o foco está na exposição à empresa e, na mineradora, na possibilidade de saída de seu presidente, Murilo Ferreira, para ocupar a vaga de Guido Mantega na presidência do Conselho.

Vale ON perdeu 4,25%, PNA, 3,47%, Bradesco PN, 3,08%, Itaú Unibanco PN, 2,82%, BB ON, 3,91%, e Santander unit, 2,24%.

O sinal negativo da Bovespa foi influenciado também pela aversão ao risco internacional em razão do conflito militar da Arábia Saudita no Iêmen, em resposta à tomada do poder pelo grupo rebelde Houthis.

As bolsas europeias recuaram e as norte-americanas também. O Dow Jones fechou em baixa de 0,23%, aos 17.678,23 pontos, o S&P teve perda de 0,24%, aos 2.056,15 pontos, e o Nasdaq caiu 0,27%, aos 4.863,36 pontos.

Tudo o que sabemos sobre:
bovespa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.