Petrobras tenta obter autorização do Ibama para nova plataforma

A Petrobras está travando uma queda-de-braço com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para obter uma autorização especial para a instalação da plataforma Piranema, no campo de mesmo nome, localizado na Bacia de Sergipe/Alagoas. Prevista para ser concluída em agosto do ano passado, a plataforma afretada pela estatal só ficou pronta na Holanda no final de dezembro, e já pode ser rebocada para o Brasil, mas ainda não tem a licença do órgão ambiental para começar a operar no País.Segundo o geólogo Renilton Mascarenhas Brandão, gerente de ativos de produção em Sergipe, a unidade deverá iniciar a viagem a partir do final de janeiro, mesmo sem a concessão da licença. Se durante os 30 dias de navegação o documento não for liberado, a intenção da estatal é levar a plataforma para a Bahia, onde ficaria ancorada até receber o aval do Ibama para começar a produzir."Para não ter o custo financeiro e logístico de levá-la para a Bahia e depois trazê-la de volta é que estamos tentando junto ao Ibama uma autorização especial para que ela seja ancorada no campo de Piranema, onde permaneceria, sem operar, até receber a licença de instalação", explicou.Segundo ele, além do lucro cessante (referente ao que a plataforma poderia estar produzindo no período), a Petrobras ainda acumula prejuízos com pagamento do aluguel do espaço em que a plataforma está ancorada desde que foi concluída. Brandão não confirmou o valor, mas estimativas do mercado indicam que esta ancoragem fique em torno de US$ 3 milhões mensais na Holanda, o que seria reduzido drasticamente caso ela venha para o Brasil.De acordo com técnicos do Ibama em Aracaju (SE), o atraso na concessão da licença ocorreu devido à priorização de projetos voltados para a área de gás natural nos últimos meses. A expectativa do Ibama, é de que a licença, solicitada pela Petrobras em agosto do ano passado, seja liberada em fevereiro, quando retornam ao escritório sergipano técnicos enviados para compor o grupo que opera no Rio de Janeiro.A plataforma Piranema, foi construída no estaleiro Yantai Raffles, na China, encomendada pela empresa norueguesa Sevan Marine, que a afretou para a Petrobras por um valor em torno de US$ 100 mil diários durante 11 anos. A plataforma vinha sendo concluída desde agosto do ano passado (prazo em que deveria ter sido entregue) no porto de Roterdã, na Holanda.O principal destaque da unidade é que ela será a primeira de formato redondo a operar em águas profundas no Brasil. O formato permite um armazenamento de 300 mil barris e foi utilizado para definir o projeto inédito desenvolvido pelo Centro de Engenharia da Petrobras (Cenpes), chamado MonoBR, por se sustentar em apenas uma coluna redonda.A vantagem do formato cilíndrico é que ele reduz significativamente o movimento da estrutura em decorrência das ações do mar e do vento. Por isso mesmo, a Petrobras estuda emplacar este tipo de estrutura em suas áreas de concessão no Golfo do México, bastante suscetível a intempéries climáticas.

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