Petroleira El Paso quer desenvolver projeto privado no Brasil

A petroleira americana El Paso prepara-se para ser a segunda empresa, depois da conterrânea Devon, a desenvolver um projeto totalmente privado de produção de petróleo na costa brasileira. A companhia recebeu aprovação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para o campo de Pinaúna, na Bahia, com reservas de 73,6 milhões de barris de petróleo e 800 milhões de metros cúbicos de gás natural. Segundo o plano entregue à ANP, o início da produção está previsto para novembro deste ano. O campo foi descoberto em março de 2006, em um bloco exploratório chamado BM-CAL-4, arrematado pela multinacional na primeira rodada de licitações da ANP, em 1999. Está localizado em águas rasas, com profundidade de 20 metros, a 13,5 quilômetros da costa. A companhia continua realizando trabalhos exploratórios no local, com o objetivo de encontrar novas jazidas para ampliar o volume de reservas. O projeto inicial prevê a produção máxima de 9,9 mil barris de petróleo e 110 mil metros cúbicos de gás por dia.O gás natural, porém, não será enviado para o continente: o plano aprovado pela ANP prevê o uso do combustível na própria plataforma de produção, para movimentar as máquinas e gerar calor. Já o petróleo será enviado a um navio-cisterna, com capacidade mínima para estocar 300 mil barris. A El Paso não informou o volume de investimentos previstos para o projeto nem qual será o destino da produção. A companhia tem uma segunda descoberta no Brasil, um campo batizado de Lagosta, na Bacia de Santos, feita em setembro de 2004. Para este projeto, tocado em parceria com a Petrobras, não há ainda plano de desenvolvimento aprovado pela ANP. Lagosta é um campo de gás, com capacidade para produzir 1 milhão de metros cúbicos por dia, que serão enviados ao mercado paulista.Dez anos após o fim do monopólio estatal, o mercado brasileiro de petróleo vive agora um período de maturação dos primeiros projetos privados. A Devon deve iniciar no final do primeiro semestre a produção de petróleo no campo de Polvo, na Bacia de Campos. A norueguesa Norsk Hydro, por sua vez, já estuda o melhor modelo para produzir petróleo no campo de Peregrino, também em Campos, que deve começar a operar em 2009. Até agora, entre as multinacionais, apenas a anglo-holandesa Shell e a espanhola Repsol produzem petróleo na costa brasileira - ambas, porém, em parceria com a Petrobras.

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