Petroleiras da China negociam com OGX fatia na Bacia de Campos, diz jornal

Se confirmadas, são a mais recente investida de empresas estatais chinesas de matérias-primas na América Latina e fora da Ásia, Oriente Médio e África

Cynthia Decloedt, da Agência Estado,

18 de agosto de 2010 | 08h39

As companhias petroleiras chinesas China Petrochemical (Sinopec) e a China National Offshore Oil Corp (Cnooc) mantêm negociações separadas com a OGX Petróleo e Gás Participações para adquirir uma participação de 20% no campo de petróleo offshore na Bacia de Campos, informou o jornal chinês 21st Century Business Herald. Se confirmadas, as negociações são a mais recente investida de empresas estatais da China de matérias-primas na América Latina e fora da Ásia, Oriente Médio e África, regiões que atualmente concentram a maior parte das fontes de fornecimento de energia e matérias-primas para o gigante emergente. No início do mês, a OGX disse que poderia vender até 30% de suas descobertas offshore na Bacia de Campos.

O 21st Century Business Herald afirmou que nenhum acordo foi fechado. Um porta-voz da Sinopec para a imprensa não confirmou se havia negociações em andamento, mas disse que a companhia está em busca de outros investimentos no exterior. Um porta-voz da Cnooc não quis comentar sobre o assunto.

O Brasil é um dos principais alvos de investimento da China, onde já foram fechados acordos de US$ 4,3 bilhões na área de matérias-primas neste ano, superando em larga escala os US$ 362 milhões de acordos estabelecidos em 2009, segundo dados da consultoria Dealogic.

Em maio, o Grupo Sinochem adquiriu uma participação de 40% no campo de petróleo offshore Peregrino da norueguesa Statoil por US$ 3,07 bilhões, demonstrando que a exploração em águas profundas continuou sendo um negócio de elevado valor, mesmo após o acidente da BP no Golfo do México. O negócio seguiu-se a um acordo preliminar fechado em março para aquisição pela East China Mineral Exploration and Development Bureau, ou ECE, da mineradora Itaminas Comércio de Minérios SA, por cerca de US$ 1,2 bilhão.

A China, com US$ 2,45 trilhões em reservas estrangeiras, também tem oferecido financiamento a empresas brasileiras. A Petrobrás tomou um empréstimo de US$ 10 bilhões do China Development Bank em maio, em troca de fornecimento de petróleo para a Sinopec durante 10 anos. A Petrobrás também concedeu à Sinopec direito de exploração de petróleo e gás natural em dois blocos em águas profundas no Brasil. As informações são da Dow Jones.

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