Petróleo atinge US$ 70 com tensão em torno do Irã

O aumento da tensão relacionada às pretensões nucleares do Irã e a ausência de substituto para a perda de 20% da produção de petróleo leve da Nigéria dão motivo para compras e alta do preço, assim como a aproximação do verão no Hemisfério Norte. A Organização das Nações Unidas estabeleceu o dia 28 de abril como data limite para o Irã interromper o seu programa de enriquecimento de urânio, sob pena de o país receber sanções. O Irã já ameaçou retaliar quaisquer sanções, enquanto mantém o discurso em defesa de suas ações de enriquecimento de urânio. O jornal "The New York Times" informou, em sua edição desta segunda-feira, que o Irã está trabalhando em uma centrífuga P-2, uma máquina avançada de enriquecimento de urânio. Segundo o jornal, em meio às diversas declarações do Irã em defesa das suas ambições para obtenção de energia nuclear, uma sentença do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, despertou a atenção na semana passada. Segundo o jornal, a asserção envolve a busca de formas mais sofisticadas de fabricação de combustível atômico, o que encurtaria o caminho para o desenvolvimento de uma arma nuclear. O jornal "Sunday Times", por sua vez, informou que há milhares de iranianos prontos a agir como homens-bomba, que retaliariam os EUA e o Ocidente, caso o país seja alvo de sanções. O Irã continua enriquecendo urânio e é acusado pelo Ocidente de desenvolver um programa nuclear com fins bélicos. Mas um ex-presidente do Irã disse que as notícias sobre um plano de ataque dos EUA ao Irã são exacerbadas, já que uma ação desse tipo seria muito perigosa. E há uma contingência de compras alavancadas pela aproximação do verão no Hemisfério Norte, pico do consumo de gasolina. Hoje, a temperatura deve oscilar entre 8 e 16 ºC em Nova York, onde o termômetro bateu 25 ºC no fim de semana. "Com as refinarias sem manutenção, a perda do petróleo leve da Nigéria - que não pode ser substituída pela capacidade ociosa de petróleo pesado da Arábia Saudita - deve dar mais suporte para os preços", comentou a Calyon no seu relatório semanal aos clientes. Além disso, não há solução à vista para a questão da Nigéria. Ataques reduziram em 20% a produção nigeriana de petróleo. O problema persiste desde janeiro. No fim de semana, a imprensa local informou que o governo deslocou um número maior de soldados para a região do Delta do Rio Níger para proteger as instalações petrolíferas. "É realmente uma continuação da tendência de alta de longo prazo, mas o dia deve ser tranqüilo, por causa do feriado de Páscoa", comentou um operador. Os operadores informaram ainda que a notícia de explosão na refinaria da Cosmo em Chiba, no Japão, também dava suporte para compras. A refinaria produz 240 mil barris por dia. Às 9h50, o contrato futuro do petróleo para maio reduzia a alta para 0,65%, a US$ 69,77 por barril, na Nymex eletrônica, após ter atingido a máxima de US$ 70 por barril mais cedo. As informações são da Dow Jones.

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