Petróleo cai pressionado por recuo das bolsas

Às 13h12, o petróleo com entrega para julho era negociado em queda de 2,46%, a US$ 68,48

Álvaro Campos, da Agência Estado,

25 de maio de 2010 | 13h22

Os contratos futuros de petróleo chegaram a cair mais de 3% nesta terça-feira, afetados pelo

declínio das ações em todo o mundo por causa das preocupações sobre a situação das economias da Europa e das tensões políticas entre as duas Coreias.

 

Às 13h12 (de Brasília), o petróleo com entrega para julho na New York Mercantile Exchange (Nymex) era negociado em queda de US$ 1,72 o barril, ou 2,46%, em US$ 68,48. Durante a madrugada, esses contratos atingiram uma mínima de US$ 67,15 e uma máxima de US$ 69,91 o barril. No mercado eletrônico ICE, o barril de petróleo Brent com entrega para julho era negociada em queda de US$ 1,90, ou 2,64%, a US$ 69,29.

 

"Os acontecimentos políticos e financeiros desta manhã estão reforçando nossa opinião de que em breve teremos preços mais baixos, na área de US$ 64-US$ 65 o barril. Agora parece que isso tem 80% de chance de acontecer", disse Jim Ritterbusch, presidente da Ritterbusch and Associates, em Galena (Illinois ). "A situação do complexo do petróleo permanece extremamente fraca", disse ele, acrescentando que futuras vendas de investidores especulativos devem acontecer antes que o petróleo pare de cair.

 

O exército da Coreia do Norte acusou a Marinha da Coreia do Sul de, nesta terça-feira, ter entrado em seu espaço marítimo e ameaçou ações militares em resposta, enquanto a Coreia do Sul interveio fortemente no mercado de câmbio para dar suporte ao won, que caiu para uma mínima de quase um ano.

 

Na Europa, os mercados de ações estão em baixa, ainda por conta das preocupações em relação ao destino da economia da Espanha depois que o Fundo Monetário International (FMI) disse na segunda-feira que o país precisa de uma "reforma radical" de suas leis trabalhistas. O aviso veio depois que autoridades espanholas tiveram de resgatar um banco no fim de semana, aumentando os temores de contágio na zona do euro bem além da Grécia, onde a turbulência financeira abalou os mercados neste mês.

 

Lawrence Eagles e sua equipe de analistas do JPMorgan alertaram que se a unidade da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) for questionada no atual declínio dos preços, o mercado vai achar que a queda deve se acentuar. O ministro do Petróleo do Kuwait descartou a necessidade de uma ação da Opep, convocando outros membros a cortar a produção para atingir os níveis que haviam sido acertados.

 

Eagles afirmou que se o Kuwait, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes, que aderiram aos níveis de produção estipulados pela Opep, não diminuírem a produção até os outros membros obedeçam suas quotas, isso vai aumentar a incerteza no mercado. "Para a Opep é preciso que haja um reconhecimento de que o estresse financeiro pode tirar de suas mãos o equilíbrio dos mercados de petróleo". Ele notou que o mercado espera que a Opep intervenha para limitar a queda a US$ 60 o barril, mas disse que, na falta de um claro sinal de um piso para o preço, "o mercado está ficando mais nervoso". As informações são da Dow Jones.

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