Petróleo despenca para o menor preço em cinco anos e derruba ações do setor

Petrobrás tem mais de 6% de baixa; ações de petroleiras fecharam em queda em Nova York

O Estado de S. Paulo

08 Dezembro 2014 | 16h31

Os contratos futuros de petróleo WTI e Brent atingiram a mínima em cinco anos desta segunda-feira, 8. O movimento influenciou as cotações das principais petroleiras do mundo todo. No Brasil, as ações da Petrobrás recuaram mais de 6%.

O comportamento das ações ligadas à indústria do petróleo está relacionado à hiper oferta da commodity no mundo, inflada pelo salto na produção do óleo de xisto nos Estados Unidos. Nos últimos seis meses, já caiu 38%.

O petróleo do tipo WTI, negociado em Nova York, fechou em queda de 4,2%, para US$ 63,05, no menor patamar desde 16 de julho de 2009. Já o Brent, de Londres, encerrou com recuo de 4,2%, a US$ 66,19 - foi o nível mais baixo desde o dia 29 de setembro de 2009.

O Morgan Stanley reduziu suas previsões para os preços da commodity ao longo dos próximos cinco anos. No cenário base, o Morgan prevê que o petróleo varie em média a US$ 70 por barril em 2015, uma queda de quase 30% ou US$ 28 a partir de sua previsão anterior. Em um cenário de pior caso, os preços no próximo ano poderiam perder 38%, em média.

No Brasil, o recuo do preço do petróleo pode atrapalhar o futuro da Petrobrás, que possui um plano de investimento bilionário para desenvolver a exploração do pré-sal.

Em Nova York,  as ações da Chevron registraram queda de 3,67%. ExxonMobil recuou 2,26%. As ADRs da PetroChina tinham cotação negativa de 4,06%. As ADRs da Total caíram 2,45%. E as ADRs da Royal Dutch Shell fecharam em baixa de 2,28%.

O movimento de queda do preço do petróleo ganhou um novo capítulo em 27 de novembro, quando o governo da Arábia Saudita bloqueou na Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) a hipótese de intervir no mercado, reduzindo o teto da produção para evitar a derrubada do preço.

Juros. Os reflexos da queda nos preços do petróleo poderão fazer com que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) adie seu primeiro movimento de alta nos juros de junho para setembro, de acordo estimativas do HSBC. Os preços mais baixos da commodity deverão atenuar a inflação em 2015 no país, segundo a instituição, que revisou de 1,5% para 1% sua perspectiva para o próximo ano.

Os analistas do HSBC ressaltam que, se o preço do petróleo ficar entre US$ 70 e US$ 80 por barril, a economia que os consumidores americanos farão anualmente com energia deverá girar em torno de US$ 75 bilhões. Isso impulsiona as previsões de gastos do consumidor do banco em meio ponto, para 2,7%, o que mais que compensar a perda de fôlego nas exportações, diz a instituição, resultando em um crescimento de 2,8% no Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, ao invés dos 2,6% previstos anteriormente

A Capital Economics, por sua vez, reduziu suas projeções de preços para o petróleo Brent a US$ 65,00 por barril no fim de 2015 e a US$ 60,00 por barril no fim de 2016.

Segundo a consultoria, o petróleo está se aproximando de um ponto perigoso para a maior parte da produção de óleo de xisto dos EUA, o que significa que os custos dessa indústria precisam diminuir para os preços serem sustentáveis a níveis mais baixos.

Por enquanto, a Capital Economics continua prevendo que os custos da indústria de óleo de xisto irão de fato cair, à medida que a tecnologia se tornar mais sofisticada, e que crescerá a oferta do petróleo convencional de outras partes, como Irã, Iraque e México.

"Isso permitiria que os preços do petróleo ficassem em torno de US$ 60,00 por barril", avalia a consultoria. "Mas reconhecemos o risco de que um período prolongado de preços baixos do petróleo leve a cortes grandes na produção dos EUA e Canadá, eventualmente possibilitando à commodity se recuperar para US$ 100,00." (Com Sergio Caldas, da Agência Estado, e Jamil Chade, de O Estado de S.Paulo, e Dow Jones)

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