Paulo Whitaker/Reuters
Paulo Whitaker/Reuters

Petróleo e cenário político fazem Bolsa atingir novo pico no ano

Índice Bovespa fechou em alta de 1,54% e chegou ao maior nível desde setembro de 2014; dólar caiu 1,10% e encerrou o dia a R$ 3,21

Lucas Hirata. Paula Dias, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2016 | 18h50

Uma combinação de fatores internos e externos alimentou o bom humor no mercado de ações e levou à queda do dólar nesta quarta-feira, 5. O Índice Bovespa subiu 1,54%, aos 60.254,34 pontos, novo pico no ano e maior nível desde 5 de setembro de 2014. A influência positiva começou com a alta dos preços do petróleo e das bolsas americanas, mas ganhou fôlego extra com o noticiário doméstico, que apontou para vitórias do governo na condução das medidas de ajuste fiscal. 

Já o dólar encerrou o dia em baixa de 1,10%, aos R$ 3,2194. De acordo com dados registrados na clearing da BM&F Bovespa, o volume de negócios somou US$ 931,839 milhões. As novidades do âmbito político intensificaram o recuo da moeda desde cedo, quando a divisa norte-americana foi pressionada por números abaixo do esperado do mercado de trabalho dos Estados Unidos. O setor privado dos Estados Unidos gerou 154 mil empregos em setembro, de acordo com relatório da ADP. Os números ficaram aquém das 175 mil vagas em agosto e a previsão de 173 mil novos postos.

Os acordos na base aliada do governo para aprovar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que limita os gastos públicos foram a base do otimismo dos investidores, mas não o único fator a influenciar os mercados. Também teve boa receptividade a aprovação, à tarde na Câmara, do projeto de urgência para a tramitação do projeto que altera a lei de repatriação de recursos enviados ilegalmente ao exterior. A previsão é que a votação do projeto comece na noite de hoje e seja concluída amanhã.

Mercado de ações. O início das discussões na Câmara do projeto de lei que retira a obrigação de a Petrobrás participar de todos os consórcios de exploração dos campos do pré-sal favoreceu as ações da estatal. Em maioria no plenário, os deputados da base aliada do governo conseguiram derrubar uma manobra da oposição, que pedia o adiamento da votação do projeto. O fim da obrigatoriedade de participação da Petrobrás nas licitações é considerado no mercado uma necessidade, uma vez que a estatal está em pleno processo de desinvestimento.

As ações da petroleira já vinham operando em alta desde o período da manhã, apoiadas em uma alta significativa dos preços do petróleo no mercado internacional. À tarde, o transcorrer da sessão de discussões na Câmara fez acelerar o ritmo de altas e os papéis da empresa chegaram a subir mais de 4%. Ao final do pregão Petrobras ON teve alta de 3,14% e Petrobras PN avançou 3,99%. Segundo operadores, as ações refletem ainda a expectativa de venda da BR Distribuidora, que deve ter fortes concorrentes, gerando recursos expressivos para a petroleira.

No cenário externo, as atenções se mantiveram concentradas na questão da política monetária dos Estados Unidos. Pela manhã os dados de empregos do relatório ADP ficaram abaixo do esperado, o que alimentou a tese de que a economia americana não está tão aquecida e que uma elevação de juros neste ano pode não ser recomendável. Com isso, as bolsas americanas reagiram com alta. De volta ao Brasil, as ações de bancos brasileiros acompanharam o bom humor nos Estados Unidos e tiveram altas significativas. Banco do Brasil ON teve alta de 2,26%, seguido por Itaú Unibanco PN (+1,96%) e Bradesco ON (+1,50%).

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