Petróleo fecha acima de US$ 71 com problema na oferta

Depois de três dias acumulando perdas, os contratos futuros de petróleo fecharam acima de US$ 71,00 o barril na New York Mercantile Exchange (Nymex), impulsionados pelo nervosismo relacionado à oferta, segundo operadores e analistas. Um alerta de tempestade tropical, junto com as renovadas preocupações com relação à oferta da Nigéria, Iraque e do Irã, levaram os operadores a recomprarem posições vendidas anteriormente, provocando uma acentuada alta dos preços um dia depois da morte do líder terrorista Abu Musab al-Zarqawi. "Os mesmos elementos que nos trouxeram aqui em primeiro lugar ainda existem: a guerra no Iraque, tensão com o Irã, interrupção da oferta da Nigéria", disse o vice-presidente de gerenciamento de risco da Fimat USA em Nova York, Mike Fitzpatrick. "A liquidação resultante da morte de Zarqawi foi falsa. A morte de um homem não vai colocar fim à insurgência no Iraque e estabilizar a região no geral", acrescentou. O presidente da empresa de consultoria Cameron Hanover, Peter Beutel, disse que o movimento de alta foi alimentado por "eventos petro-políticos bullish (de mercado em alta)", tais como o conflito no Iraque e persistentes preocupações com relação ao programa nuclear do Irã. "Se este mercado for capaz de passar um dia ou dois sem notícias de desenvolvimentos petro-políticos bullish, os fundamentos oferta e demanda pressionariam os preços para baixo", disse Beutel. "O fato é que há eventos demais de impacto sobre a oferta de petróleo a cada dia" que impedem uma queda dos preços, acrescentou. As preocupações relacionadas com a oferta da Nigéria aumentaram depois que um membro de alto escalão do governo nigeriano disse que até 800 mil barris/dia da produção do delta do rio Níger permanece parada, cerca 300 mil barris/dia a mais que o informado anteriormente. O diretor do Departamento de Recursos de Petróleo da Nigéria, Yony Chukwueke, classificou a paralisação de produção como "uma grande perda para o país" e acrescentou: "Nós não sabemos o que fazer". A região do delta do rio Níger é palco de ataques de militantes que buscam obter o controle da riqueza gerada pelo petróleo. Finalmente, o temor de uma tempestade tropical agitou o mercado com o surgimento de um distúrbio tropical no Atlântico. O Centro Nacional de Furacão dos EUA informou a formação de uma grande área de distúrbio temporal, com potencial para se desenvolver nas próximas 24 horas, da direção ao nordeste da América Central até o noroeste do mar do Caribe e porções de Cuba e Bahamas. A atividade está associada com uma ampla área de baixa pressão cobrindo o lado leste de Yucatán e o Golfo das Honduras. O meteorologista sênior da Planalytics, Jim Rouiller, disse que os modelos meteorológicos estão apontando para uma atividade de temporal com relâmpagos e trovões bastante grande se movendo para o sul, alcançando o Golfo do México no final deste final de semana como uma tempestade tropical. Tom Bentz, analista de petróleo do BNP Paribas, disse que o informe provou "algum nervosismo" entre os operadores. "O mercado vai observar (a tempestade) atentamente. Isso é parte do motivo porque subimos", acrescentou. Na Nymex, os contratos de petróleo para julho fecharam a US$ 71,63 o barril, alta de US$ 1,28 (1,82%). A mínima foi de US$ 70,90 e a máxima de US$ 71,80. Em Londres, no sistema eletrônico da ICE Futures, os contratos de petróleo Brent para julho fecharam a US$ 70,48 o barril, alta de US$ 1,43. A mínima foi de US$ 68,68 e a máxima de US$ 70,63. As informações são da Dow Jones.

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