Petróleo fecha em alta após Fed reiterar juro baixo

Comunicado otimista da decisão impulsionou mercado acionário com reflexos positivos na commodity

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

28 de abril de 2010 | 18h10

Os contratos futuros de petróleo fecharam em alta, acompanhando o movimento dos mercados e ações, num rali proporcionado pela reiteração do comprometimento do Federal Reserve com a manutenção de taxas de juro extremamente baixas nos EUA.

O tom otimista do comunicado divulgado ao término da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) do Fed elevou os preços das ações, dando aos participantes do mercado de petróleo uma oportunidade de deixar de lado as preocupações com a elevação dos estoques norte-americanos da commodity.

"Este ainda é um complexo guiado primariamente pelos mercados financeiros e, dentro do espaço financeiro, o mercado de ações parece ser o foco principal", observou Jim Ritterbusch, presidente da consultoria Ritterbusch and Associates.

Os contratos do petróleo com vencimento em junho subiram US$ 0,78, ou 0,95%, fechando em US$ 83,22 por barril na bolsa mercantil de Nova York (Nymex). No mercado eletrônico ICE, o petróleo Brent para junho subiu US$ 0,38, ou 0,44%, encerrando a sessão em US$ 86,16 por barril.

A declaração feita hoje pelo Fed foi praticamente a mesma de março, mas a repetição da mensagem de melhora das condições econômicas e expectativa de taxa de juro baixa encorajou os investidores a buscarem ativos de risco mais elevado. Diversos mercados foram afetados mais cedo pelo rebaixamento do rating da Espanha pela Standard & Poor's apenas um dia depois de a mesma agência de classificação de risco de crédito ter cortado os ratings de Grécia e Portugal.

O mercado de petróleo deu pouca atenção ao dado semanal do Departamento de Energia dos EUA segundo o qual os estoques norte-americanos de petróleo tiveram elevação de 1,963 milhão de barris na semana encerrada em 26 de abril, para 357,82 milhões de barris - o maior nível desde junho. A previsão média, segundo analistas consultados pela Dow Jones, era de elevação de 800 mil barris.

Os estoques de petróleo subiram apesar de uma elevação de 3,1 pontos porcentuais na utilização das refinarias, atingindo 89% da capacidade de refino. A rápida elevação nas taxas de processamento das refinarias gera temores de que os estoques de combustíveis aumentarão durante o verão no hemisfério norte mesmo que a demanda por esses produtos dispare, favorecida pela temporada de viagens nos EUA. Segundo os dados do Departamento de Energia, porém, os estoques de gasolina caíram 1,24 milhão de barris na semana encerrada em 26 de abril, contrariando expectativa de elevação de 600 mil barris.

As refinarias incrementaram a utilização de sua capacidade para tentar tirar vantagem de margens de lucro mais elevadas com a produção de combustíveis, mas "os fundamentos do mercados e os níveis dos estoques estão longe de serem favoráveis na iminência de mais abundância nos estoques", escreveram analistas da JBC Energy em Viena. As informações são da Dow Jones.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.