Petróleo fica na defensiva com crescimento da tensão

Os contratos futuros de petróleo superaram US$ 63 por barril pela primeira vez no ano, com a escalada das tensões entre o Irã e a comunidade internacional. Embora poucos analistas acreditem na possibilidade de uma eventual interrupção do fluxo de petróleo no Golfo do Pérsico, os operadores avaliam que a manutenção dos 15 integrantes da Marinha britânica pelas forças iranianas e a suspensão parcial da cooperação do governo de Teerã com a agência atômica das Nações Unidas, em resposta às novas sanções contra o país, possam levar a um confronto militar na região. "O mercado está na defensiva quanto à possibilidade de o conflito ficar ainda mais aquecido", afirmou o analista da corretora Alaron Trading Corp, Phil Flynn. "As tensões estão obviamente aumentando, com a captura dos integrantes da Marinha britânica e as novas sanções", completou. No sábado, o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou por unanimidade uma resolução impondo novas sanções econômicas contra o Irã pela recusa do país em suspender suas atividades de enriquecimento de urânio. Os 15 membros do CS aprovaram a proibição de exportação de armas para a República Islâmica e o congelamento de ativos de 28 pessoas e organizações envolvidas no programa nuclear e de fabricação de mísseis do Irã. Cerca de um terço das pessoas afetadas tem ligação com a Guarda Revolucionária, uma força de elite iraniana. Autoridades do Irã afirmam que as sanções irão apenas incentivar o país a perseguir o desenvolvimento de seu programa nuclear, que teria fins puramente pacíficos. A mensagem foi transmitida ao CS na sede da ONU em Nova York pelo ministro do Exterior do Irã, Manouchehr Mottaki, uma vez que o presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, que faria o discurso, cancelou sua participação alegando não ter recebido os vistos para a entrada da sua delegação nos EUA. O ministro iraniano afirmou que o Irã está considerando a possibilidade de julgar os 15 integrantes do navio britânico por invasão das águas do país, apesar de um alerta do primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, de que a captura era "errada e injustificável". Às 10h54, o contrato do petróleo para maio subia 1,16%, para US$ 63,00 por barril, após ter tocado a máxima de US$ 63,30, na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex). Na ICE Futures Exchange, em Londres, o Brent de mesmo vencimento subia 1,65%, para US$ 64,22 por barril. As informações são da Dow Jones.

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