Petróleo já puxa preços do açúcar, milho e óleo de soja

Vinícius Ito, da Newedge Futures, acredita que preço do petróleo chegará a US$ 100 o barril em 2010

Alexandre Inacio e Luciana Xavier, da Agência Estado,

05 de novembro de 2009 | 15h48

A recuperação dos preços do petróleo no mercado internacional deve influenciar as cotações de algumas commodities agrícolas nos próximos meses. A avaliação é do analista da Newedge Futures em Nova York Vinícius Ito, que concedeu entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Para ele, o petróleo deve chegar novamente aos US$ 100 o barril até o final de março de 2010. Depois, tendem a recuar e oscilar entre US$ 60 e US$ 65 o barril. "O petróleo acima de US$ 80 não permite uma recuperação sustentável da economia dos países industrializados, mas existem fundos que estão voltando para cestas de commodities, o que inclui o petróleo e algumas agrícolas", disse Ito.

 

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Segundo o analista, as commodities agrícolas já estão sendo influenciadas pela recente valorização do petróleo, mas aquelas mais relacionadas à energia ficarão mais sensíveis às oscilações dos preços do combustível. Para ele, os produtos que apresentam um potencial maior de valorização são o açúcar, milho e óleo de soja, nesta ordem. "O trigo, que também poderia subir, tem um aspecto fundamental muito forte, que um grande estoque mundial", afirma.

 

A estimativa do analista é de que os preços do óleo de soja superem os 40 centavos de dólar por libra e se aproximem dos 45 centavos. Segundo Ito, as cotações do óleo podem apresentar ainda um ganho de 10%, considerando que os preços do petróleo realmente cheguem ao patamar de US$ 100 o barril. Dentro dessa mesma tendência, as cotações do milho na Bolsa de Chicago teriam força para superar os US$ 4,00 por bushel. Ontem, os contratos com vencimento em dezembro fecharam o dia cotados a US$ 3,90 por bushel.

 

Segundo Ito, a limitação que existe para uma valorização maior dos preços do milho é a safra americana. Apesar de atrasada em relação a anos anteriores, o analista considera que em alguma momento haverá uma pressão de oferta no mercado, proveniente da colheita desse grão. "Além disso, existe um bom estoque nos Estados Unidos e no mundo, mas não pode ser deixado de lado o fato de o petróleo alto estimular a produção de combustíveis alternativos", afirma.

 

Em relação ao açúcar, produto com maior potencial de valorização com a alta dos preços do petróleo, existe, segundo Ito, a possibilidade de as cotações atingirem suas máximas. Ontem, em Nova York, o açúcar foi cotado a 23,39 centavos de dólar por libra, mas o analista não descarta a possibilidade de o mercado chegar e até superar os 26 cents. "O açúcar é diretamente influenciado pelo petróleo e, diante da situação de produção no Brasil e demanda da Índia, o mercado pode atingir novas máximas", disse.

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