Petróleo não ficará acima de US$ 100 nos próximos 4 a 5 anos

Segundo Adriano Pires, o petróleo deve ficar ao redor de US$ 50 a US$ 60 em 2009, o que é ruim para Petrobras, mas "interessante" para as contas brasileiras

Luciana Xavier,

28 de novembro de 2008 | 17h17

O petróleo deve continuar em baixa no longo prazo e os países produtores do óleo terão que se ajustar ao fim dos tempos de bonança, quando a commodity se aproximou de US 150 o barril, avaliou o especialista em petróleo Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE) e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Creio que, em 2009, o preço do barril de petróleo vai ser de US$ 50 a US$ 60. Mas tudo vai depender da profundidade da recessão mundial. O período ainda é de bastante pânico nos mercados. Não acho que o petróleo ficará acima de US$ 100 pelo menos nos próximos 4 a 5 anos", afirmou ao AE Broadcast Ao Vivo.  Ouça a entrevista Segundo ele, os países mais dependentes de petróleo vão sofrer problemas sérios, como é o caso, na América Latina, da Venezuela, Equador e México. Pires disse que a Venezuela já perdeu mais da metade de sua receita com a queda do petróleo.No caso do Brasil, Pires disse que a Petrobras terá de conviver com petróleo mais baixo, mas disse que a queda do petróleo não é de todo ruim para o País. Pires estima que o crescimento do PIB brasileiro será de 2,5% ou 2,8% em 2009."A queda do preço do petróleo é ruim para a Petrobras, mas para as contas brasileiras é interessante. Até porque, este ano mesmo, a gente vai ter um déficit na conta de petróleo muito grande, porque a gente ainda importa uma quantidade de petróleo de 15% a 20%, que é leve, para fazer o blend nas refinarias. E a gente importou muito diesel no passado.(...) Então, para as contas nacionais, a queda do preço do petróleo é até uma boa noticia", explicou.PetrobrasO balanço do 4º trimestre da Petrobras deve trazer um caixa ainda menor que o do 3º trimestre, disse Adriano Pires. A situação da Petrobras, segundo ele, pede um olhar atento. "Quero deixar claro que não estamos falando que a Petrobras está desabando. Não há tsunami. Mas a saúde financeira preocupa e temos que ficar atentos. Falar que a situação financeira da empresa é excelente também está errado. Acho que os senadores têm razão em convocar os dirigentes da Petrobras para procurar explicações mais concretas. As declarações de ontem não foram com grau e substância que o mercado exige", avaliou. A Petrobras recentemente pediu empréstimo de R$ 2 bilhões à Caixa Econômica Federal.Para o diretor, uma vez que o resultado de 4º trimestre deve ter geração de caixa menor, mais empréstimos poderão ser solicitados às instituições financeiras. "A Petrobras vai ter que ir a mercado, não tem jeito. Mas isso vai prejudicar empresas menores que precisam pegar recursos", disse.Segundo Pires, é fundamental que a Petrobras se ajuste à nova realidade de petróleo ao redor de US$ 50. "Vai ter que cortar custo, despesa. A Petrobras vai ser obrigada a cortar investimentos", disse. Pires disse que a Petrobras deve rever o projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). "O projeto Comperj está fora da realidade", disse o diretor, que espera que os projetos do pré-sal também sofram atraso. "A chance de o investimento do pré-sal ser postergado é grande", acrescentou.O diretor da CBIE disse que, diante da necessidade de rever todos os investimentos, o mais provável é que a Petrobras não divulgue o Plano de Negócios 2009-2013. Pode ser até que opte, por exemplo, por divulgar plano estratégico para os próximos 20 anos e não divulgar um plano detalhado, como fazia de costume, para os próximos 5 anos".

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