Petróleo pode chegar a US$ 140 até fim do ano

Segundo o especialista Saul Suslick, falar em petróleo a US$ 200 o barril ainda em 2008 "é exagerado"

Luciana Xavier e Cynthia Decloedt,

16 de maio de 2008 | 19h47

A volatilidade no mercado de petróleo deve continuar por pelo menos mais seis meses e até o final do ano a commodity poderá atingir US$ 140 o barril. A avaliação é do especialista em petróleo, Saul Suslick, professor do Instituto de Geociências e diretor do Centro de Estudos de Petróleo (Cepetro), da Unicamp. Segundo ele, falar em petróleo a US$ 200 o barril ainda em 2008, como prevê a Opep, "é um pouco exagerado". Analistas da Goldman Sachs elevaram hoje a projeção para o preço médio do petróleo no segundo semestre de 2008 em US$ 34, para US$ 141 por barril.  - Ouça entrevista com Saul Suslick O especialista da Unicamp disse que o que se vive atualmente não é um choque de oferta como nas crises de 73 e 79. "O que há é um crescimento forte da demanda e a oferta não consegue se ajustar rapidamente", afirmou. Suslick disse que o consumo vem crescendo pressionado pelos países asiáticos, especialmente pela China, e a Opep não tem flexibilidade para aumentar em pouco tempo a oferta. "O ajuste (da oferta) não virá fácil porque a indústria do petróleo tem baixa elasticidade", comentou. O professor ressaltou que ninguém imaginava há cerca de cinco anos que haveria uma expansão tão forte da demanda por petróleo e, por isso, não foram feitos os investimentos necessários no setor.  Prêmio - Pelo menos US$ 30 do preço do petróleo atualmente é um prêmio de hedge que está sendo pago ao especulador, na opinião do professor. "Na realidade o petróleo está cotado a US$ 127, mas dentro desse preço está embutido um seguro pago aos especuladores, de hedge, para a dificuldade de atender o suprimento no tempo e no momento adequado que tanto o vendedor como comprador estão desejando", explicou.  Suslick disse que uma das grandes dificuldades na oferta de petróleo hoje é que existe demanda voltada para alguns tipos derivados do petróleo, como querosene, a qual as refinarias não conseguem se adaptar rapidamente, disse o especialista em petróleo. "Não há falta física de petróleo. Há disponibilidade de óleo, mas de óleo pesado. Esse fato está dentro da especulação. Tanto o produtor como o consumidor jogaram para o mercado especulativo essa responsabilidade", ressaltou.  O professor afirmou que desde a descoberta de um campo até a produção há um período de seis a sete anos e o mercado de petróleo não se preparou para a chegada de uma forte demanda mundial. Ele informou que há mais de 15 anos não é inaugurada uma refinaria nova nos Estados Unidos ou Europa. Para Suslick, o petróleo deve seguir em patamares altos pelos próximos 50 anos, mas acredita que o mundo será menos prejudicado uma vez que existe hoje um portfólio de novas energias.  Suslick disse ainda se tudo correr bem, o Brasil poderá estar em situação ainda mais confortável no mercado de petróleo daqui a uns oito ou dez anos, com a exploração do Campo de Tupi, na Bacia de Santos. Ele notou, no entanto, que não seria interessante "em hipótese alguma" o Brasil vir a ingressar, no futuro, na Opep. Para ele, o Brasil deve ser produtor independente de petróleo, como a Rússia e Noruega, para não ter que alinhar sua política externa a dos países da organização.

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