Petróleo recua em meio a receios com crise da Europa

Temor se refere à fraqueza na demanda norte-americana por derivados da commodity e pela aparente falta de progresso na solução para a crise na Europa

Ricardo Gozzi, da Agência Estado,

20 de outubro de 2011 | 18h17

Os preços dos contratos futuros do petróleo fecharam em baixa, pressionados por receios com a fraqueza na demanda norte-americana por derivados da commodity e pela aparente falta de progresso nos esforços para solucionar a crise das dívidas soberanas europeias.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), o contrato do petróleo para novembro, que expirou hoje, caiu US$ 0,81, ou 0,94%, para US$ 85,30 por barril. O contrato para dezembro, que passa a ser o de vencimento mais próximo, recuou US$ 0,22, ou 0,25%, para US$ 86,07 por barril. A diferença de US$ 0,77 entre os dois contratos é a maior já registrada entre os dois primeiros vencimentos desde que o contrato abril expirou, em 22 de março, e reflete a fraca demanda pela commodity por causa do período sazonal de manutenção das refinarias norte-americanas.

Na plataforma ICE, o contrato do petróleo tipo Brent para dezembro caiu US$ 1,37, ou 1,26%, para US$ 109,76 por barril. Ao longo da sessão, os preços do petróleo oscilaram amplamente diante de notícias conflitantes vindas da Europa, que sugeriam ora avanços ora retrocessos nos esforços das autoridades locais para conter a crise das dívidas soberanas. Em determinado momento, surgiram notícias de que uma reunião de cúpula da União Europeia prevista para domingo seria adiada, algo negado posteriormente.

A incerteza pairava sobre os preços e diminuiu apenas depois de o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, anunciarem que pretendem apresentar um plano abrangente até quarta-feira, no máximo. Rich Ilczyszyn, estrategista de mercado e operador da MF Global, disse que a situação da zona do euro "parece realmente imprevisível". Como os nervos estão à flor da pele, muitos investidores optaram por não entrar no mercado.

Isso, aliado ao fato de os dados do Departamento de Energia dos EUA divulgados ontem terem mostrado que a demanda por gasolina recuou para menos de 8,6 milhões de barris por dia na semana passada, o menor nível desde 1999, o que provocou um declínio na demanda total por combustíveis para o nível mais baixo desde meados de outubro de 1998. "A demanda dos EUA está simplesmente horrível, horrorosa", disse Kyle Cooper, analista da IAF Advisors.

Fora dos EUA, a morte do ex-governante da Líbia, Muamar Kadafi, pode sinalizar o fim da guerra civil e dos obstáculos políticos e de segurança no país, abrindo caminho para restaurar a produção de petróleo local, segundo David Fyfe, diretor da divisão de mercados de petróleo da Agência Internacional de Energia. Ele afirmou que o órgão ainda vê a Líbia produzindo 600 mil barris por dia até o final deste ano. As informações são da Dow Jones.

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