Petróleo segue em queda apesar da decisão da Opep

O preço do petróleo continua caindo apesar do anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) de que está disposta a reduzir sua produção diária em 1,2 milhão de barris. Mas o mercado não se convence disso, prevendo dificuldades para implementação de um corte desta magnitude. A Arábia Saudita, o maior produtor dentro da Opep e, por isso, com grande capacidade de influência no mercado, saiu na frente e anunciou nesta manhã corte nos volumes que serão fornecidos em novembro nas refinarias. Mesmo assim, a ponta vendedora prevalece. Às 8h15 (de Brasília), o contrato de dezembro negociado no pregão eletrônico da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) caía 1,20% para US$ 58,62 o barril. Na plataforma ICE, de Londres, o contrato de mesmo vencimento recuava 1,22% para US$ 58,95 o barril. "A Arábia Saudita já informou todos os seus consumidores no mundo de que está cortando o abastecimento em 380 mil barris ao dia a partir de 1º de novembro", disse um delegado do primeiro escalão da Opep, segundo a agência Dow Jones. De acordo com pessoa ligada a uma refinaria européia, a Arábia Saudita reduziu o montante de petróleo previsto para ser fornecido em novembro. No entanto, responsáveis pelas operações de comércio em outras refinarias européias disseram não terem sido informadas de nenhum corte. Já na Ásia, os importadores disseram que a estatal saudita, Aramco, informou a algumas refinarias no Japão, a uma na Coréia do Sul e uma em Taiwan sobre corte no abastecimento em novembro de cerca de 6% a 8%. Segundo estas fontes, as refinarias foram notificadas durante o fim de semana. O presidente e analista da consultoria Cameron Hanover, Peter Beutel, disse em seu relatório diário que a maior parte dos observadores pressentem que o corte acabará reduzindo 750 mil barris ao dia da produção da Opep, com Irã, Nigéria, Venezuela e Indonésia mantendo os patamares atuais de produção. Tais países, disse, devem cortar a quota teórica de produção e não a produção efetiva. Os quatro juntos respondem por 450 mil barris diários da produção da Opep. Beutel lembra que a Nigéria, por exemplo, já está com sua produção reprimida por conta dos problemas no delta do Níger, onde rebeldes ameaçam as companhias estrangeiras. Em entrevista ao Broadcast Ao Vivo, na sexta-feira, Beutel disse que se a Opep conseguir reduzir sua produção em 1 milhão de barris ao dia, será um sucesso. O analista destacou que só será possível saber se a decisão foi bem-sucedida em dezembro, quando serão publicadas as estimativas e dados oficiais da produção da Opep.

Agencia Estado,

23 de outubro de 2006 | 08h18

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